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Luiz Carlos Merten

12 Fevereiro 2010 | 22h06

BERLIM – Cá estou de novo postando num teclado alemao, o que significa que vao ficar faltando alguns acentos, sorry. Mas nao resisto a dar noticias. ostei bastante de Howl, da dupla Epstein/friedman, que fez Celluloid Closet, sobre 100 anos de homossexualismo e lesbianismo em Hollywood. Howl é sobre o poema de Allen Ginsberg, que deu start ao movimento beat nos EUA, nos anos 50. É, como disseram os diretores, um filme de texto. Ginsberg, interpretado por James Franco, fala e seus textos sao rfetirados de entrevistas. O poema foi julgado obsceno e levado a julgamento. Todas as cednas de tribunal sao tiradas dos autos dos processos. E há o poema, propriamente dito, o uivo desesperado de uma geracao que experimentava o mal-estar do conservadorismo na repressora sociedade da época. Numa cena, no tribunal, um especioalista em literatura, chamado a interpretar o poema, diz que nao se pode transdformar poesia em prosa. Talvez seja o caso de dizer que nao se pode também transformar em animacao, mas é o que Epstein e Friedman fazem, com a licenca de que o próprio Ginsberg havia trabalhado, nao me lembro agora com que desenhista, na ilustracao de suas poesias. Sei que gostei muito do filme, e do ator, mas tenho de relativizar meu entusiasmo por James Franco. Assisti agora à noite a Submarino, de Tomas Vinterberg, e o ator que faz o irmao mais velho no filme é excepcional. A Berlinale está recém comecando, poderemos ser surpreendidos por filmes e elencos, mas se no final ganhar esse ator do Vinterberg já me sentirei gratificado. O filme é sobre esses irmaos. No comeco, sao eles que cuidam do irmaozinho bebe, porque a mae é bebada. O bebe morre, de cara, e isso tem efeitos devastadores sobre os sobreviventes. (De novo, após Anticristo a morte da crianca volta a assombrar o cinema dinamarques e seus monges do Dogma.) A narrativa salta uns bons 20 anos e acompanha um irmao, depois o outro. Sao fodidos totais, com o perdao da palavra, enfrentam problemas com a Justica, cada um por seu lado, mas, no desfecho, outra crianca vai redimir um deles. Chorei que foi uma beleza. Vinterberg ressurge, após Festa de Casamento. Ainda é cedo para enumerar filmes merecedores de premiacao, mas, com o Polanski, Submarino é o melhor que vi até agora (mesmo tendo gostado, com ressalvas, de Howl).

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