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Luiz Carlos Merten

22 Maio 2011 | 11h56

CANNES – Estou vindo da minha entrevista com Catherine Deneuve (e Christophe Honoré). Catherine foi ótima – éramos um grupo pequeno, quatro pessoas, e depois de Honoré eu tive a chance de pegá-la num intervalo entre entrevistas. Catherine olhava para a filha, Chiara Mastroianni, com quem divide a cena (e que dava outra entrevista para um grupo que incluía Elaine Guerini). Captei aquele olhar terno de Catherine, não resisti e me aproximei para comentar como a filha dela está cada vez mais bonita e talçentosa. Observei que nem sempre foi assim, mas hoje Catherine está perfeitamente à altura das duas lendas que são seu pai e mãe. Ela me agradeceu pela gentileza do comentário, e concordou. Acrescentou que Chiara experimenta hoje um verdadeiro ‘bonheur’ de ser atriz. Honoré me fez um comentário legal. Disse que ficou amigo de Chiara, com quem havia feito dois filmes antes deste. Tudo bem que Catherine é um ícone, a cara do cinema francês, mas, para ele, de uma maneira muito mais íntima, é a mãe de sua amiga Chiara. Enfim, cá estou no hotel. Vim pegar meu computador. São quase 5 horas daqui (meio-dia no Brasil). A cerimônia de premiação começa às 7h15 locais. Depois virão nas entrevistas do júri e as dos vencedores. Havia um ‘Repubblica’ no local em que entrevistei Catherine Deneuve -o nono andar do 67, na Croisette, a meio caminho dos hoteis Carlton e Martinez, com uma magnífica vista da baía de Cannes. O enviado do jornal italiano, Curzio Maltese – será pseudônimo, uma mistura de Malaparte com Corto -, dá como favas contadas que a Palma é de Sorrentino, com seu ‘This Must Be the Place’. Espero, sinceramente, que o prognóstico de Curzio não se realize, mesmo gostando de Sorrentino (não neste filme). Anos atrás, os italianos também davam como certo que ‘Gomorra’ ia ganhar e se estreparam. Bem, vamos lá. Antes, vou ler um pouco – o meu Emilio Salgari da vez, ‘O Rei do Mar’, que, como aventura de pirataria, dá de dez em ‘Piratas do Caribe 4’, mesmo não tendo um episódio fantástico (e tão esplendidamente realizado) quanto o das sereias no blockbuster de Rob Marshall.