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Bela Tárr e a crítica

Luiz Carlos Merten

19 Fevereiro 2011 | 07h03

BERLIM – E, no penúltimo dia, o da premiação, recomeçou a nevar. Parece uma garoa, os flocos meio que se dissolvem no ar e isso porque tem vento e o frio está muito intenso. acho que nmão vou ver Berlim coberta de neve neste ano. O 61,o festival est[á terminando. Vamos ver o que o júri presidido por Isabella Rossellini aprontou para hoje à noite. Ontem, no final da tarde, o júri da Fipresci, a Federação Inteernacional da Imprensa Cinematográfica, atribuiu seu prêmio a Bela Tárr, por ‘O Cavalo de Turim’.. Já escrevi várias vezes, no jormal como no blog, que o filme de Bela Tárr foi o acontecimento artístico da Berlinale de 2011 e, mesmo assim, a admiração que sinto por ele é tão fria que torço psara que o autor húngaro ganhe o Urso de Prata, seja de direção ou especial do júri, e o outro vá para ‘Nader and Nisim, A Separation’, do iraniano Asghar Farhadi. Richard Lormand, assessor de imprensa que, nos últimos anos, tem representado os grandes vevedores de Cannes, Veneza e até Berlim (o turco do ano passado) ficou escandalizado, náo apenas comigo, mas com a imprensa do mundo todo. What happened to you guys, do you prefer soap operas now? (O que aconteceu com vocês, gente, agora gostam de novelas?) Ele não é o único. Ouvi de um brasileiro que Farhadi leva porque Jafar Panahi está na cadeia, no Irã, e o júri vai querer chamar a atenção do mundo para o cinema iraniano, até porque Fahradi com certeza vai fazer uma declaração política no palco do Palast. Acho injusto que se diga uma coisa dessas. O filme é muito bom, mas, ao contrário do de Bela Tárr, que trabalha o tempo conm lentidão e carrega ‘O Cavalo de Turim’, na verdade é uma égua, de conotações bíblicas, Fahradi fila com a urgência e as implicações sociais que a situação iraniana exige. Estou redigindo da sala de imprensa do festival. Já são quase 10 horas aqui (7 horas no Brasil). Acabo de retirar ingressos para ver, amanhã, alguns filmes que perdi, incluindo ‘Gianni e le Donne’, de Gianni Di Gregorio, o diretor de ‘Almoço em Agosto’, que tanto me encantou. Queria dar essa primeira notícia do dia, a vitória de Bela Tárr, na premiação da crítica. Ia aproveitar, já que o computador que uso atualmente me permite selecionar o idioma, para colocar todos os acentos e cedilhas que ficaram faltando no texto de ontem à noite. Mas não gosto dessas correções a posteriori. Se defendo, esteticamente, a urgência de Asghar Farhadi, com muito mais propriedade vou manter a urgência com que escrevi o texto. Faz parte do próprio clima do festival.

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