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Luiz Carlos Merten

17 Agosto 2007 | 16h56

GRAMADO – Não postei nada sobre os filmes de ontem. A qualidade dos curtas despencou. Com exceção do primeiro, A Peste da Janice, de Rafael Figueiredo, que não é Satori Uso, o que vi ontem à tarde no formato foi bem decepcionante. O primeiro longa da noite, El Baño del Papa, já havia visto em Cannes. Revi e gostei mais ainda. César Charlone e Enrique Fernández fizeram um filme singelo, mas cuja simplicidade é enganosa. Conheço aquela região na fronteira entre Uruguai e Brasil, Melo – minha ex-mulher era de Dom Pedrito -, e me encantou a história dos sacoleiros que atravessam a fronteira de bicicleta. Quando o Papa João Paulo II visita Melo, eles pensam que sua situação vai mudar – vejam o filme para saber como e por quê. Adorei. Na seqüência, revi Otávio e as Letras, de Marcelo Masagão, a que também já havia assistido (numa versão que ainda não era definitiva). Masagão não é Daniel Filho, mas é outro diretor que os críticos amam odiar, talvez porque o tipo de cinema que ele faz seja de difícil classificação. Gosto de Otávio e as Letras. Seu retrato da solidão urbana, a discussão dos signos, a importância acordada à palavra, tudo me instiga. E o cinema de Masagão tem a música daquele meu parente – brincadeirinha, mas o outro Merten é múltiplo, Wim Mertens -, que me dá vontade de fechar os olhos e ficar viajando nos sons. Otávio é um dos filmes que vão ficar comigo após este festival.