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Luiz Carlos Merten

18 Fevereiro 2012 | 06h51

BERLIM – Disse ontem, ao interromper, acho que ateh bruscamente, meu post dando conta da vitoria de Tabu no premio da critica, que estava indo ver o Bel Ami. Que Meryl Streep, que nada. Nem Angelina Jolie nem Brad Pitt. A maior multidaoh que se comprimiu em frente ao Palast, antes e depois de um filme, e naquele frio, estava lah para ver Robert Pattinson, o bel ami de Guy de Maupassant. Quer dizer, da adaptacaoh que uma nova dupla de diretores (Declan Donellan e Nick Ormerod) fez do original de Maupassant, com producaoh do italiano Uberto Pasolini (seja lah qual for, serah que tem parentesco com Pier Paolo?). Pattinson estah saboreando seus 15 minutos de fama. Deu autografos, tirou foto com as fas e eu tive a impressaoh de ter recuado 50 e tantos anos no tempo, aos idos de Elvis e Jimmy Dean. Arrisco-me a ser apedrejado em praca publica, se alguma dessas gurias que o idolatram fosse o Ahmadinejad, mas acho o tal Pattinson completamente sem graca, sem sal e muito menos apelo erotico. Aquele Agua para Elefantes era doloroso de ruim e naoh havia quimica entre Reese Whiterspoon e ele. Mas o guri, que foi escolhido the sexiest man alive, se esforca. Isso hah que reconhecer. Bel Ami eh um personagem dificil. Amoral, ambicioso, Duroy (eh seu nome) usa as mulheres para subir na Paris da Belle Epoque, mas eh usado por elas, ou por uma delas, e humilhado vinga-se numa manobra digna de Valmont (e Merteuil, em As Ligacoes Perigosas). Naoh foi desagradavel assistir a Bel Ami, mas com roteiro mais caustico (de Christopher Hampton, por exemplo) e mais Visconti, menos James Ivory na direcaoh, o proprio Robert Pattinson teria tido mais material para mostrar talento.