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Cultura » Bel ami, ou Bellamy, o novo Chabrol, com Depardieu

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Luiz Carlos Merten

07 Fevereiro 2009 | 14h21

BERLIM – Primeiro concorrente alemao da competiçao, Requiem, de Hans-Christian Schmid, foi o filme mais aplaudido ate agora. O fato de ser da casa pode ter ajudado, mas Requiem eh bom. Mostra advogada de acusaçao de um homem que vai a julgamento por crimes contra a humanidade, durante a Guerra da Bosnia. A primeira testemunha mata-se e o caso parece perdido quando a advogada logra convencer uma mulher a participar da acusaçao, mesmo que isso coloque em risco sua vida (e a do marido e do filho). No momento em que o julgamento parece satisfatoriamente reorientado, um acordo de interesses – no quadro da nova Europa – interdita a advogada de levantar o veu sobre assuntos que os governos envolvidos preferem manter secretos. A advogada, Kerry Fox, fica dividida entre sua consciencia e a necessidade de calar (o proprio marido foi um dos negociadores do acordo). Schmid nao fez exatamente um filme a Elio Petri, ou Francesco Roi, ou Damiano Damiani, mas ele parece indiscutivelmente influenciado pelo cinema politico italiano por volta de 1970. Gostei do filme, que me pareceu bem forte, nessa linha de discutir consciencia e responsabilidade, que esta sendo a tonica da Berlinale deste ano. Agora, vou tomar um cafe e me preparar para a proxima sessao. Claude Chabrol ganha um premio especial por sua carreira e aproveita para mostrar seu novo filme (policial). Gerard Depardieu estrela Bellamy. Eh o primeiro filme a reunir o diretor e o astro. Chabrol, ao desembarcar na Alemanha, disse que o filme paga a divida que ambos tinham um em relaçao ao outro. O diretor chegou a dizer que era uma vergonha nunca ter filmado com Depardieu. Ou me engano ou Chabrol ainda permanece com uma divida – afinal, ele ainda nos deve um filme com outro icone, Catherine Deneuve. Espero poder fazer-lhe a pergunta na entrevista marcada para amanha.