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Luiz Carlos Merten

06 Outubro 2007 | 18h41

Agradeço ao Wellington por seu comentário sobre Estômago, inclusive citando a opinião do Marcelo Janot sobre o filme. Não sei se fui primeiro, segundo ou terceiro a fazer a ponte entre Estômago e O Cheiro do Ralo, mas não foi tanto pelo filme pequeno, desconhecido e que chega para surpreender. É muito mais uma coisa de tom – a sordidez, o gosto pelo bizarro. Gosto do filme do Marcos Jorge, mas, ao contrário do Janot, gosto mais do Cheiro, o que, de alguma forma, diminui meu entusiasmo na hora de escrever. Prometo rever o filme do paranense na Mostra para tirar a teima. É muito legal, vocês vão ver. Por falar na Mostra, tivemos hoje de manhã a coletiva de lançamento do maior evento de cinema em São Paulo. A Mostra promete. Grandes filmes, retrospectivas interessantes (a do Jia Zhang-ke), a volta de Tabu, do Murnau e do Flaherty e um filme que já estou louco para ver – o novo do Milcho Manchevski, cineasta da Macedônia que fez Antes da Chuva. Lembro-me dele no Festival de Veneza, quando Antes da Chuva ganhou o Leão de Ouro. Ninguém conhecia o cara, nem o filme. Vi e fiquei chapado. Fiz de tudo para entrevistá-lo, o que consegui. Disse pro Milcho que ele ia ganhar. O cara me olhou como se eu fosse pirado. Não sei nem explicar, pois não sou vidente, mas em Veneza eu acertei três vezes o vencedor, e eram filmes que não estavam cercados de expectativa. Os outros dois foram Hana Bi- Fogos de Artifício, do Takeshi Kitano, e o o Cyclo, Ciclista, do Tran Anh Hung. Mera coincidência, claro, mas adorei quando esses filmes ganharam. Após a coletiva desta manhã, vimos uma das atrações anunciadas da Mostra – Accross the Universe. Não sei se o título permanecerá este quando for lançado nos cinemas, mas na Mostra vai passar assim. Pensei no Rodrigo Fonseca, do Globo, que vive gozando de nossas diferenças ‘geracionais’. O filme conta sua história por meio de canções dos Beatles, retraçando os conflitos dos anos 60 – Revolução, Guerra do Vietnã, o sonho hippie de paz e amor. Imagino que os jovens gostem – os que lá estavam gostaram -, mas para as pessoas da minha geração acho que a viagem é outra, porque aquela é um pouco a nossa história. Quando a Carol, da Cinnamon, que faz a assessoria da Sony, me disse que o filme tinha 130 minutos, quase levantei e fui embora. Mas fiquei e, enquanto o filme ia rolando, eu não queria mais que terminasse. Acho que estaria lá, até agora. A mocinha chama-se Lucy, ele é Jude. Fiquei o tempo todo esperando por Hei Jude e Lucy in the Sky with Diamonds, que vieram bem no finalzinho (LSD por último), com All we Need Is Love. A diretora Julie Taymor, que fez O Rei Leão na Broadway, fez antes a Frida Khalo com Salma Hayek e Salma agora retribui, numa pequena participação sensacional. Guardem o título – Accross the Universe. Lá vou eu me expor. Se tivesse chorado mais um pouco, acho que teria me desidratado.