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Cultura » ‘Batman’ no I-MAX

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Luiz Carlos Merten

22 Fevereiro 2009 | 10h49

Tentei postar ontem várias vezes e não consegui. Agora, deve ser minha vigésima tentativa, porque o sistema não estava recohnhecendo minha senha de acesso ao blog. Finalmente consigo postar. Vamos falar em seguidinha de Oscar, mas vamos por partes, como diria o estripador. Na sexta, emendei cinema com aniversário. Fui rever o ‘Batman’ de Christopher Nolan, ‘Cavaleiro das Trevas’, na sala I-MAX. Vocês sabem quanto já gostava do filme. É possível gostar mais ainda? Adoro filmes pequenos, autoraias, experimentais. Ha vários dias que tento, mas ainda não consegui falar sobre a emoçã que me causou Le Petit Fugitiof’, de Morris Engel, Ruth Orkin e Ray Ashley. O filme é nada, e tudo, e eu ainda vou explicar por quê. Fiquei siderado com a invenção, a ousadia e o experimentalismo de ‘Les Plages d’Agnès’, de Agnès Varda, e ‘Z32’, de Avi Mograbi, que vem para o É Tudo Verdade, e ambos os filmes, coincidentemente ou não, operam nas bordas do documentário e da animação (como ‘Valsa com Bashir’, que leva, espero!, a estatueta de melhor filme estrangeiro hoje à noite). Mas eu simplesmente não resisto à vida inteliogência do cinemão, quando ela se manifesta. Lembrei-me de Kubrick, ‘A Laranja Mecânica’, do olho de Alex (Maldolm McDowell), que não consegue se fechar. ‘Cavaleiro das Trevas’ me produz, acho que em todo o mundo, uma vertigem técnica, mas o que me deixa chapado é a quantidade de informações que é preciso processar. O Coringa como terrorista que quer ver o circo pegar fogo, pois seu objetivo não é o poder – nem o dinheiro -, mas o caos, é um personagem extraordinário e a forma como Nolan transforma o espetáculo num jogo de duplos e triplos para refletir sobre o mundo atual, globalizado, me deixam simultaneamente eufórico e arrasado. Existe, naquela grandiosidade toda, um intimismo que me toca. A relação do policial com o filho, certas falas de Alfredo, o mordomo, de Fox, o assessor de Bruce Wayne nas empresas (e inventor dos gadgets de Batman), tudo isso e a cena da inversão entre o cavaleiro das trevas e o Coringa, naquele andaime. Coisa de louco! Um filme como este não me diverte, simplesmente. Saí do cinema embananado, sem conseguir parar de pensar. Nem o mais elaborado ou intelectualizado dos autores me deixa assim. Serei só eu assim? Não acredito… Heath Ledger é excepcional como Coringa, mas eu gosto cada vez mais de Christian Bale como o mascarado. E estou convencido de que o outro só consegue ser excepcional, no nosso imaginário, por causa da gravidade – do minimalismo? – da presença cênica de Bale/Batman. Que filme, que filme!

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