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Luiz Carlos Merten

20 Agosto 2009 | 16h22

Rodrigo Fonseca, do ‘Globo’, é aquilo que meu ex-editor Evaldo Macarzel chama de ‘amigaço’. Reencontrei o Rodrigo em gramado e ficamos o tempo todos nos provocando. Ele já está um pouco gasto – brincadeirinha, Rodrigo –, mas tem menos do que a metade da minha idade. Rodrigo ainda vai fazer 30 anos. Quando divergimos, ele brinca que é um problema ‘geracional’. Em Cannes, Rodrigo adorou de cara o ‘Inglorious Bastards’ do Tarantino. Eu, que tento não ser preconceituoso, confesso que fiquei com o pé atrás, buscando os defeitos do filme. Havia gostado tanto de ‘Tempo de Violência’ e, depois, não sei se o próprio filme ou seu efeito sobre o cinema me levaram a repensar ‘Pulp Fiction’ (e o autor). Mas confesso que tenho pensado bastante no filme do Tarantino. Apesar do título retirado de um velho filme de Enzo G. Castellari – quase comprei o original, que encontrei no fim de semana, na seção de importados da Livraria Cultura, em Porto Alegre, mesmo sabendo que não se trata de um remake –, as boas lembranças de ‘Inglorious Bastards’ me vêm via Aldrich, ‘Os Doze Condenados’, e Ennio Morricone, cuja música de ópera era o pilar dos spaghetti westerns de Sergio Leone. Aldrich e Morricone, portanto, mas na abertura de ‘Inglorious Bastards’ a trilha é de Dmitri Tiomkin, incluindo ‘The Green Leaves of Summer’, que John Wayne utiliza na sua versão de ‘Álamo’, a antiga, dos anos 60, não a de 2004, de John Lee Hancock, com Dennis Quaid, que nunca estreou nos cinemas brasileiros (e eu não vi na TV paga nem em DVD). Por que estou falando em ‘Inglorious Bastards’? Ontem fui jantar com um amigo no América da Av. Paulista, cheguei um pouco cedo e resolvi passar no Conjunto Nacional. Encontrei Sérgio Bianchi, conversamos sobre seu novo filme, mas esta é outra história. Na banca em frente ao Conjunto Nacional, encontrei o número de junho, pós-Cannes, de ‘Cahiers du Cinéma’, com Brad Pitt e Eli Roth na capa, justamente na cena em que esculpem a suástica na cara do vilão nazista. ‘Cahiers’, pelo visto, coloca Tarantino nas nuvens, mas isso eu já antecipava, porque a revista deu ao filme a cotação máxima – Palma de Ouro – durante o Festival de Cannes. Mas havia outra revista, em língua inglesa, não sei se ‘Première’ ou ‘Film Comment’, também com Brad Pitt na capa e a chamada ‘única entrevista’. Não li, mas encontrei na contra-capa o anúncio que está me fazendo redigir este post. Amanhã, dia 21 – aniversário de meu irmão, lembrei-me agora –, ‘Inglorious Bastards’ estreia nos EUA. A expectativa é grande. Como se comportarão a crítica e o público? E aqui, para quando ‘Inglorious’? O filme vai antes para o Festival do Rio, que na próxima semana anuncia a Première Brasil? Vem para a Mostra ou sai antes? Quem souber nos informe, ou me informe, por favor.