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Cultura » Barraco, não!

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Luiz Carlos Merten

31 Janeiro 2007 | 13h04

Vou tentar ser menos agressivo nas respostas aos comentários, mas é muito engraçado. A gente está vivendo num mundo de comunicação instantânea e, ao mesmo tempo, impossível. Acho que ninguém mais se preocupa (vale para mim e para os outros) com o que se lê, ou ouve, ou vê. O que vigora é sempre a coisa subjetiva. Um dia ainda vou ter de rever Denise Está Chamando com toda atenção. Aquele foi um filme profético! Valente colocou seu he-he-he de riso quando falei de Jeanne Moreau e de Tessalônica. Bem – ele captou a intenção. Se o negócio é ser pedante e arrotar caviar cultural, eu também posso. Era para ironizar mesmo. Quanto ao Santander, o leitor, não o banco, não sei de onde ele tirou essa de que eu silenciei diante do Iñárritu. Escrevi aqui que briguei com o cara por causa do Babel, durante o Festival do Rio. Contestei coisas que ele me disse, contra-argumentei e me lembro que escrevi que a situação chegou a um ponto em que Iñárritu, irritado, me perguntou como eu achava que o filme devia ser e respondi que aquilo não era pergunta – não deveria ser eu a dizer como ele deveria ter feito seu filme. Iñárritu ficou tão p… que não se deixou fotografar. O que acrescentei é que quando não havia mais diálogo e me sobravam uns cinco minutos de entrevista, conversei sobre coisas mais familiares, do ângulo dele – pais vivendo no México, como é criar filhos numa outra cultura, em Los Angeles. Não apenas para encher lingüiça, como se diz, mas porque acho que tinha tudo a ver com Babel. Não silenciei, não – já briguei uma vez com Sean Connery e o problema é que aí não era tête-à-tête. Foi numa mesa, com quatro ou cinco jornalistas de todo o mundo; ficaram contra mim, a favor dele e querendo me matar, pelo clima que se criou. Posso até tentar fazer prevalecer meus pontos de vista, ou pelo menos polemizar, mas sou jornalista. Não sou o astro de nenhuma entrevista que faço. O direito de dar entrevista ou de responder às perguntas é do entrevistado, qualquer entrevistado, com o qual me sinto no dever de ser respeitoso, para não dizer elegante. Não poderia ser diferente, um pouco por formação, mas também porque trabalho num jornal de tradição. Só o que me faltava era ter um piti e levantar, batendo a porta na cara do entrevistado ao sair.