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Luiz Carlos Merten

08 Julho 2009 | 13h19

Encontrei no elevador do ‘Estado’, o Sérgio, meu gerente do Bradesco, que me anunciou, muito alegre, que conseguiu comprar o DVD de ‘Pulp Fiction’ (Tempo de Violência), de Quentin Tarantino, nas Lojas Americanas, por R$ 9,90. Ontem, e curiosamente por este mesmo horário, Antônio Gonçalves Filho também me anunciou que havia comprado um monte de DVDs em oferta nas Americanas, com destaque para dois clássicos de John Ford, pelos quais pagou a mesma quantia (R$ 9,90). Os dois clássicos em questão valeram ao mestre seus Oscars de direção de número 2 e 3, ‘Vinhas da Ira’, em 1940, e ‘Como Era Verde o Meu Vale’, em 41. Ford havia recebido seu primeiro Oscar de direção em 1935, por ‘O Delator’, e ainda receberia o quarto, por ‘Depois do Vendaval’, em 1952. O curioso é que só uma vez, justamente com ‘Como Era Verde’, ele somou o Oscar de filme ao de direção. Nos demais anos, ‘O Grande Motim’, a versão de Frank Lloyd, foi melhor filme no ano de ‘O Delator’; ‘Rebecca’, de Hitchcock, desbancou ‘Vinhas da Ira’; e ‘O Maior Espetáculo da Terra’, de Cecil B. de Mille, levou a melhor sobre ‘Depois do Vendaval’. Tanto ‘Vinhas’ quanto ‘Como Era Verde’ são adaptações – do romance de John Steinbeck, o primeiro, e do de Richard Llewellyn, o segundo. ‘Como Era Verde’ foi editado pela velha Globo na Coleção Catavento e eu até hoje faço uma ponte (que só pode ser minha) com ‘Platero e Eu’, que saiu na mesma coleção. Ambos fazem descrições minuciosas de comunidades, vistas pelos olhos de meninos, talvez tenha sido isso que me marcou. Nunca vi nenhum dos dois clássicos de Ford no cinema. Conheço a ambos da TV, em versões dubladas e, depois, legendadas na TV paga. ‘Vinhas da Ira’ era ousado na época, por tratar de fome, pobreza e agitação social, tudo aquilo de que o cinema de Hollywood fugia (e foge até hoje). Henry Fonda e Jane Darwell também ganharam Oscars (melhor ator e melhor atriz coadjuvante). Ela é inesquecível como Ma Joad, valendo lembrar que cinco ou seis anos depois a mesma atriz é detestável ao inicitar a multidão ao linchamento em ‘Consciências Mortas’, de William Wellman. ‘Vinhas da Ira’ tem uma genial fotografia em preto e branco de Greg Tolland. ‘Como Era Verde’ também foi fotografado em PB, por Arthur Miller, homônimo do dramaturgo. Filme, direção e fotografia foram três dos cinco Oscars recebidos pelo clássico agora em oferta. Os outros dois – melhor ator coadjuvante, para Donald Crisp, e sou capaz de jurar que direção de arte, acho que para Richard Day, que depois virou diretor. São títulos obrigatórios para quem quiser decantar as virtudes do PB sobre a cor. Existem matizes de cinza, especialmente em ‘Como Era Verde’, que fazem do filme um espetáculo deslumbrante – por mais sofrida que seja aquela descrição da vida de mineiros do País de Gales.