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Luiz Carlos Merten

28 Outubro 2006 | 13h56

Acaba de sair a lista de filmes selecionados para concorrer ao Troféu Bandeira Paulista, como melhor obra de diretor estreante (até o segundo trabalho) da 30ª Mostra. Dos 120 habilitados na categoria, o público selecionou 14 – ou Leon Cakoff e Renata Almeida limitaram o número de escolhidos a 14, por ser este o máximo de obras que o júri internacional poderá ver em cinco dias. Até quarta, quando ocorre a deliberação final, serão três por dia. Na quinta à noite, saberemos quem é ou são os escolhidos pelo júri integrado, entre outros, por Bahman Ghobadi, Florinda Bolkan e Wolfgang Petersen. Achei a escolha do público um tanto conservadora, e o disse ainda há pouco, na coletiva de apresentação do júri e dos finalistas. O conservadorismo a que me referia, com raras exceções, é o de linguagem, mas a mesa, leia-se Leon e Renata, entenderam como conservadorismo político. Leon, para contestar, citou o exemplo de Shortbus, de John Cameron Mitchell, que definiu como o filme mais político sobre sexo desde Salò, de Pasolini. Não foi um bom exemplo. Salò é de 1975, ano da morte do diretor, e no ano seguinte Nagisa Oshima fez O Império dos Sentidos. De minha parte, acho que a comparação mais pertinente seria com Intimidade, de Patrice Chéreau, ou o filme do Michael Winterbottom, Nove Canções, que também têm cenas de sexo explícito (e são mais recentes). A ressalva me parece importante porque Shortbus, exceto pelas cenas hard de oral e anal, me pareceu bastante convencional no desfecho, isso sem falar que é completamente falocrático. ‘Dar’ resolve o problema tanto do cara quanto da terapeuta de casais que não consegue ter prazer. Deixando essas picuinhas para lá, gostaria de ter visto, na lista de preferidos do público da Mostra, Acidente, Hamaca Paraguaya e Honor de Cavalleria, que me parecem mais ousados (e não apenas como linguagem), mesmo que nenhum deles fosse premiado, no final. O fato de quatro dos 14 filmes serem brasileiros me agradou bastante (incluindo o mais transgressor de toda a lista, O Cheiro do Ralo). O conjunto todo é representativo da diversidade da Mostra, com metade dos filmes sendo latinos ou íbero-americanos, e isso também é legal. Vamos aos 14 mais, pela ordem alfabética – A Batalha de Paris, de Alain Tasma, da França; Amu, de Shonali Bose, EUA/Índia; Anche Líbero Va Bene, de Kim Rossi Stuart, Itália; Coisas Que o Sol Esconde, de Yuval Shafferman, Israel; Go Etxebeste!, de Asier Altuna e Telmo Esnal, Espanha; Minha Vida sem Minhas Mães, de Klaus Häro, Finlândia; Noel – Poeta da Vila, de Ricardo Van Steen, Brasil; O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger, Brasil; O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia, Brasil; O Edifício Yacoubian, de Marwan Hamed, Egito; O Violino, de Francisco Vargas Quevedo, México; Os Doze Trabalhos, de Ricardo Elias, Brasil; Que Tan Lejos, de Tania Hermida, Equador; e Shortubus, do já citado John Cameron Mitchell, EUA.