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Luiz Carlos Merten

20 Abril 2010 | 08h47

SALVADOR – Olá amigos. Cá estou na Bahia, desde ontem. Emendei o Rio, a estreia do ‘Soldadinho e a Bailarina’, de Gabriel Villela, com esta vinda à capital baiana, onde tenho um espaço semanal na Rádio Metrópole. A rádio completa dez anos e, para comemorar a data, me convidou (e a outros comentaristas) para um bate-papo com os ouvintes, no estúdio, mediado por Mário Kértesz, ‘dono’ do programa (e da própria rádio). Cheguei à tarde e gostaria de ter avisado vocês, para o caso de eventuais amigos baquerem ouvir o programa. Foi bem legal. Permaneci duas horas no ar, das 6 às 8, conversando com o Mário e respondendo a perguntas de ouvintes, que queriam saber de tudo – comentar ‘Avatar’ e ‘Guerra ao Terror’, a floresta de ‘Anticristo’, a canastronice de Jean Claude Van Damme e Steven Seagal, ‘Chico Xavier’. Conversamos sobre o que significa esse empobrecimento cultural do mercado, atrelado ao cinemão, leia-se Hollywood. Mário e eu somos de um tempo em que se via muito cinema itasliano, francês, inglês,  japonês, sueco, mas a verdade é que, nostalgia à parte – e eu procuro não viver no passado -, essas cinematografiasd foram perdendo sua relevância, um pouco pelo desaparecimento, seja por morte ou aposentadoria, dos mestres e também pela mediocrização que parece ter tomado conta do cinema que vive para o mercado, apenas atendendo ao que produtores e distribuidores imaginam que sejam as necessidades e expectativas do público. Não resisto a essa cidade que me encanta. À tarde, mal cheguei, corri ao Pelourinho, que não via há tanto tempo. Está abandonado. Não sou eu que digo. À noite, depois do propgrama, quis conhecer o Espaço Unibanco de Cinema, na Praça Castro Alves, e dali subi para aquela praça central, próxima ao Elevador Lacerda (não me lembro o nome). Tem o restaurante Recanto da Lua. Entrei para comer. Havia um show que também era um protesto justamente contra o abandono do Pelourinho, patrimônio da humanidade que o descaso das autoridades – era o que diziam todos, repetindo os taxistas cujos carros utilizei –  está condenando ao abandono. Mas era um show e eu ouvi uma artista que me emocionou. Fiquei pensando comigo. Quanta gente talentosa  não tem espaço na mídia. Ela se chama Rita Brás (pode ser Braz). Vou dar uma pesquisada para ver se encointro alguma coisa. Rita tem um alcance de cantora lírica, põe sentimento na voz. Talvez vocês encontrem alguma amostra de seu talento no You Tube. Vai valer a pena. Estão sendo poucas horas em Salvador. Daqui a pouco já rumo para o aeroporto e, por volta de uma da tarde, é o meu voo para Guarulhos. O Espaço Unibanco daqui era a sala Glauber Rocha. Ainda mantem o sol de Glauber, aquele que, no cartaz de ‘Deus e o Diabo’, envolvia o rosto de Othon Bastos, isto é, Corisco. Não tenho certeza, mas uma vista d’olhos na programa de filmes raros que a Cinemateca inicia amanhã, aí em São Paulo, assinalou para mim alguma coisa do nascente cinema baiano, no começo dos anos 1960. Terá sido ‘Baia de Todos os Santos’, de Trigueirinho Neto? Acho mais provável que seja ‘A Grande Feira’, de Roberto Pires, com aquelas mulheres lindas (Helena Ignez e Luiza Maranhão), mais o jovem Geraldo del Rey, que era um assombro. Além de ator de Anselmo Duarte (‘O Pagador de Promessas’) e Glauber Rocha (‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’), Geraldo foi casado com Tânia Carvalho, apresentadora gaúcha cujo programa de rádio eu produzia, nos anos… 1980?  Muitos anos depois, Geraldo já morrera e a Tânia ainda falava com carinho sobre ele e seu imenso talento, sobre os encontros artísticos que ela vivenciou quando eram casados. Tenho tido o privilégio de conhecer/conviver (com) pessoas que fazem parte da história da cultura brasileira e que me contam coisas. São tantas histórias de bastidores. Algumas divertidas, outras trágicas, histórias de resistência, de sexo. Dariam um livro (calma, gente, não vou escrever.) De volta ao rádio, minha  história com ele é antiga. Com o cinema, mais ainda. Ao invés de postar mais, acho que vou dar uma volta por Salvador, enquanto ainda tenho tempo. Se der, eu volto. Senão, posto mais em São Paulo, na volta.