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Baby Driver ou baby face? Está chegando o filme mais original do ano

Luiz Carlos Merten

12 Julho 2017 | 10h01

Posso ter gostado de Transformers – O Último Cavaleiro, o movimento final, quando tudo se encaixa, e Homem Aranha – De Volta ao Lar (do primeiro até mais, um pouco), mas estou encantado é com Baby Driver. Já disse que comprei no fim de semana duas edições da Empire, uma com Guardiões da Galáxia 2 na capa e a outra com Homem Aranha. Nessa última tem uma visita ao set do filme de Edgar Wright com Ansel Elgort, e a revista crava que pode ser muito bem o filme mais original do ano. Um filme de assalto? De corrida? Como pode ser original? Mas é – vi ontem pela manhã Baby Driver, numa cabine com Miguel Barbieri e Pedro Antunes, meu colega do Estado. Fiquei siderado. Edgar Wright mistura ação e música contando a história de um baby face (Elgort) que é ás do volante e ganha a vida como motorista de carros que são usados para assaltar. Voltei à revista. De cara, Wright conta que teve a ideia em 1995, em Londres, quando tinha 21 anos. Ele descobriu o álbum Orange, do The Jon Spencer Blues Explosion. A faixa Bellbottoms deixou-o louco. Ouvia compulsiva, obsessivamente, sempre pensando que seria a trilha perfeita para uma corrida de carros. Embora jovem, o personagem de Elgort – Baby – tem um trauma no passado. Passa o filme com fones de ouvido. Move-se como num musical, e há um crédito de coreografia no final. A barra é pesada. Ele está preso a Kevin Spacey – vejam para saber por quê. Jamie Foxx integra-se ao grupo. Sócio (e psico)pata, pensa que é bandidão, mas o vilão da história é Jon Hamm. Sei que não tem nada a ver e até, como já disse, gostei do Homem Aranha de Tom Holland, mas queria que o filme de Jon Watts tivesse o mood do de Wright. O romance. O vilão. Sei que tem um monte de gente que ama o Abutre, nunca referido como tal, de Michael Keaton, mas o meu problema é com o ator. Agora posso dizer – se fosse Jon Hamm… Baby Driver é parente de Guardiões 2 por esse casamento entre trilha e ação. Um hit de Paul Williams embala um tiroteio e os tiros são ritmados com solos de bateria. Genial! O cinema, que todo mundo diz que está em crise, morrendo, ainda é capaz de (me) surpreender. E Baby Driver me lembrou Acossado, o de Richard Gere mais que o de Jean-Paul Belmondo, com a ginga que o diretor Jim McBride absorveu nos seus anos brasileiros, e um outro filme que andava meio esquecido no meu imaginário, mas voltou com força. Miami Blues – como é mesmo que se chamava no Brasil? O jovem Alec Baldwin, que naquele tempo, por volta de 1990, era um assombro, como ‘Júnior’. Tive de fazer 1001 pesquisas para chegar ao nome do diretor – George Armitage. Puta filme bom. Gostaria de perguntar a Edgar Wright se foram referências dele. Quem sabe…?