Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Babenco

Cultura

Luiz Carlos Merten

08 Dezembro 2006 | 16h20

Acabo de voltar do almoço de confraternização da Warner, que todo fim de ano convida os jornalistas para agradecer a colaboração da imprensa, fundamental nos números que a empresa apresenta. A Warner dá números do mercado de DVD. A empresa, de novo, lidera o mercado do País, com mais de 25% de share. Como jornalista, tenho de cobrir a área – e não resisto a uma entrevista –, mas, quando envolve confraternização, fico sempre me sentindo meio culpado de estar ‘colaborando’ para essa hegemonia de Hollywood nos cinemas brasileiros. É verdade que a Warner (como a Columbia, a Fox…) tem sido parceira do cinema nacional em projetos de que gosto muito. Hector Babenco passou pelo almoço no Piola para agradecer justamente a nova parceria da Warner com a HB e mostrar cenas do novo filme, O Passado, que promete bastante. Não é que Babenco esteja me devendo, ou nos devendo, alguma coisa. Um cara com o currículo de grandes filmes dele tem crédito, mas não ando me entusiasmando muito com as coisas que ele tem feito. Gostei do Carandiru mais que de Coração Iluminado, mas é a direção de cena, forte, que me atrai, mais que o roteiro do filme adaptado do livro do Drauzio Varela. Tem alguma coisa ali de empilhar episódios que me incomoda, por mais impactante que seja o desfecho, com as cenas do massacre, propriamente dito. Gostei muito do que vi de O Passado e que corresponde só a uma pequena edição das quatro primeiras semanas de filmagem (foram 13 no total). Babenco definiu-se como um cara mais emocional que racional e disse que o filme nasceu num momento e numa circunstância difíceis para ele. Sua mãe estava doente, ele ia e vinha de Buenos Aires. Leu o livro de Alan Pauls, sobre um homem que ama as mulheres, e embarcou numa viagem interior visceral, porque o filme, como o livro, mesmo contando a história de um casal, termina falando de amor, de dor, de separação, de reencontro, num sentido amplo que abriga sua relação com a mãe. O Passado tem uma frase de apoio – a separação pode fazer parte da história de amor de um casal – na qual acredito, por experiência própria. E o Gael García Bernal, que faz o protagonista, não é mole. Já deu para sentir que ele foi fundo no papel. Vem coisa boa – tomara! – por aí.