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Luiz Carlos Merten

26 Abril 2010 | 00h40

Cá estou postando, já na madrugada de segunda-feira. Daqui a pouco – antes, preciso dormir um pouco -, embarco para o Recife, onde, à noite, começa o 14º Cine PE, com a homenagem a Guel Arraes, que vai mostrar ‘O Bem Amado’. Ando meio defasado com meus posts. Não falei, por exemplo, sobre o show de Edu Lobo, ‘Tantas Marés’, na noite de sexta-feira. Foi lindo, e considerando-se a recente imagem de Edu Lobo no documentártio ‘Uma Noite em 67’, que abriu a etapa paulista do É udo Verdade, achei-o singularmente loquaz. Foi-se a timidez do jovem Edu. Ele é ótimo contador de histórias e piadas, e se comunica muito bem, mas tenho de admitir que tomei um choque quando ele entrou no palco. Edu Lobo e Paulo Thiago são a mesma pessoa? Estão iguazinhos, sem tirar nem por. Emocionei-me muito com a ‘Canção do Adeus’ – ‘Adeus/Vou pra não voltar…’ -, que me trouxe a voz magnífica e a interpretação visceral de Elis Regina. Ainda sob o impacto do show do Edu, fui ver sábado à tarde ‘Caçador de Recompensas’. É horrível, melhor silenciar. Hoje à tarde, consegui ver ‘Os EUA X John Lennon’, que é bom e a grande surpresa, para mim, foi a imagem positiva que o documentário projeta de Yoko Ono. Agora à noite, fui ver ‘Cinema’, a peça de Felipe Hirsch’, sobre a qual pretendo voltar. Achei bem legal, o melhor trabalho do diretor, com ecos da utilização do tempo e do espaço concentracionário de ‘O Baile’, de Ettore Scola, embora Felipe me tenha citado Buñuel (‘O Anjo Exterminador’) como uma de suas referências nesta obra em que dialogam (interagem?) teatro e cinema. Nunca havia falado com ele e aproveitei para dizer a Felipe que foi um erro lançar ‘Insolação’ junto com a peça. O filme foi eclipsado e o diretor não conseguiu transferir para o cinema o público que vem prestigiando ‘Cinema’ no palco. Estava com Dib Carneiro e, depois, com João Luiz Sampaio e Regina Cavalcanti, fomos jantar com Francisco Quinteiro Pires, ex-‘Caderno 2’, hoje cinegrafista da Rede Globo nos EUA. Chico regressa amanhã e era a última chance de jantar com ele e ouvir suas histórias. No teatro, encontramos Hector Babenco e Barbara Paz, e ele me deu a grande notícia. ‘A versão restaurada de ‘O Beijo da Mulher Aranha’ foi escolhida para abrir a edição de Cannes Classics deste ano. É uma das minhas seções favoritas do festival. Tento sempre ver o maior número de obras restauradas e, até hoje, não creio que alguma vez me tenha decepcionado, a ponto de achar que teria sido melhor se determinado filme se perdesse. Teria 1001 coisas para comentar – o DVD de ‘Vício Frenético’, o livro de Marcela Matos sobre Mazaropi, ‘Sai da Frente’ -, mas já é quase 1 da manhã. Espero estar acrescentando o próximo post do Recife. Adeus e, ao contrário de de Edu Lobo, eu espero estar partindo para regressar.