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Cultura » Avó do Brad Pitt?

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Luiz Carlos Merten

24 Novembro 2010 | 13h54

Morreu Ingrid Pitt. Foi ontem, em Londres, dois dias depois de completar 73 anos. Quando disse isso agora há pouco, na redação do ‘Estado’, um monte de gente fez piada – quem era, a avó do Brad? Bando de canalhas, são meus colegas, estou sendo afetuoso. Ingrid Pitt foi uma famosa estrela de filmes de terror por volta de 1970. Boa parte de sua carreira foi feita na empresa Hamer, mas não na Hamer dos primeiros filmes de Terence Fisher. Ingrid foi a Condessa Drácula de Peter Sasdy e a Carmila de Roy Ward Baker, quando ele adaptou o original de Sheridan Le Fanu e fez ‘Os Amantes Vampiros’. O filme fez sensação com suas vampiras lésbicas e a versão de Baker é melhor do que a de Roger Vadim, ‘Rosas de Sangue’, embora esta tenha Annette Stroyberg e Elsa Martinelli. Ingrid havia começado sua carreira no cinema fazendo pequenos papeis em ‘Dr. Jivago’ e ‘Um Escravo das Arábias em Roma’. Ela poderia ter feito uma carreira cult como Barbara Steele, nos filmes do italiano Mario Bava, mas quando começou a se tornar conhecida o próprio gênero e a Hamer já estavam em declínio. Após o impacto de ‘Psicose’ e com as transformações que marcaram o cinema dos anos 1960, o apelo erótico e o uso da cor (o vermelho sangue) não foram suficientes para segurar o público. O terror/horror só se reinventou ao ficar gore em ‘O Exorcista’, o primeiro, de William Friedkin, em 1973. Mas eu adorava Ingrid Pitt, uma falsa loira (era morena…) arrasadora. Não sou de publicar fotos, mas se vocês forem à Wikipédia encontrarão uma galeria de imagens. Em mais de uma ela lembra um pouco Kim Novak, embora não tivesse a exuberância carnal da diva de ‘Um Corpo Que Cai’ (Vertigo). Seus outros filmes com Roy Ward Baker não são menos interessantes – ‘O Médico e a Irmã Monstro’, uma versão nada ortodoxa de Robert Louis Stevenson, e ‘Asilo Sinistro’. Ingrid nasceu na Polônia, de pai alemão e mãe judia. Com essa última, conheceu o horror dos campos de concentração – e por isso devia tirar de letra todas aquelas fantasias sobre vampiros. O verdadeiro horror, afinal, já conhecera na realidade. Ingrid escreveu vários livros e, em sua autobiografia, faz um relato impressionante sobre como foi procurar pelo pai nos hospitais da Cruz Vermelha, após a 2ª Guerra. A família viveu entre a Europa e os EUA – seu primeiro marido foi um soldado norte-americano –, mas houve um período em que Ingrid também viveu na Argentina, sob Perón (e contou a experiência em outro livro, uma ficção).

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