As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Autran Dourado, Eric Hobsbawm…

Luiz Carlos Merten

01 Outubro 2012 | 12h43

RIO – Descobri ontem, durante o debate sobre ‘Meu Pé de Laranja Lima’, de Marcos Bernstein, que o evento estava sendo transmitido, online, pelo portal da PUC Rio. Hoje tenho mais dois debastes da Première Brasil,  à tarde, às 15h30, sobre ‘O Dia Que Durou 21 Anos’, de Camilo Tavares, e às 17h30 sobre o novo Domingos de Oliveira, ‘O Primeiro Dia de Um Ano Qualquer’. Se houver interesse em acompanhá-los, pesquisem no portal da PUC. Que coisa, mas junto com a Hebe morreram Autran Dourado, o escritor mineiro de quem Susana Amaral adaptou ‘Uma Vida em Segredo’, que acho bem bonito, e o historiador Eric Hobsbawm, pensador marxista que foi um dos maiores intelectuais do século 20. Por mais respeito e admiração que tivesse por Hobsbawm, por sua cultura e erudição, me irritava um pouco que ele permanecesse atrelado à cena da escadaria de Odessa em “O Encouraçado Potemkin’, de Sergei M. Eisenstein, como os 7 minutos mais influentes do cinema. Pode ser pretensão minha, mas escrevi um livro – ‘Cinema – Entre a Realidade e o Artifício’ -, não propriamente para demolir Eisenstein nem Hobsbawm, o que seria impossível, mas para chamar a atenção de que, em materia de influência, os 44 segundos do assassinato de Marion Crane na ducha de Alfred Hitchcock – ‘Psicose’ –  são tão influentes quanto, ou até mais. Nem julgo o mérito, mas o significado da cena e a revolução que ela provocou. Estou aqui no Rio, no festival, correndo para ver filmes e fazer entrevistas. Imagino o sufoco que todas essas mortes estejam produzindo para a equipe do ‘Caderno 2’, que tem de produzir rápido, e bem, textos à altura dos desaparecidos. Hobsbawm deu uma entrevista, acho que no ‘Aliás’, analisando os rumos do mundo. Tinha ali algo de Antonio Gramsci – o pessimismo da razão e o otimismo da vontade. Ninguém é marxista impunemente, sem ‘acreditar’.