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Atores (para deixar Maria do Rosário com água na boca)

Luiz Carlos Merten

21 Março 2015 | 10h32

Fui num bate/volta ao Rio, para visitar o set do novo filme de Paulo Gustavo, dirigido por César Rodrigues, que fez A Professora Maluquinha, bem simpático, e o High School Musical brasileiro, esculachado pela crítica, mas que eu acho muito bem feito, com belo uso da cor e da cenografia, pena que o elenco, escolhido num concurso, não ajudasse. A cena do Vai Que Cola, o filme em questão, transpondo o programa da TV para o cinema – e a turma do Méier para o Leblon -, se passava na areia da praia, em plena Vieira Souto. Um plano-sequência, e um longo diálogo, que o Paulo e o Marcus Majella, como Valdomiro e Ferdinando, faziam, tudo certinho e aí, (re)vendo no vídeo assist, o Paulo teve uma ideia que comunicou ao diretor. ‘E se a gente fizesse assim?’ César topou e a cena, do nada, virou outra coisa graças a um recurso cômico que ele tirou da cartola na hora. Fazer humor é isso – timing, e o Paulo e o Majella têm. São f… Fiquei de novo dias sem postar, mas nem foi por causa da viagem. Sei lá que problema técnico me impedia de entrar no próprio blog. Tentava e vinha a mensagem – em inglês, ainda por cima. Access denied. Acesso negado. Eu, hein? A sequência desse post talvez não interesse a ninguém, mas já que, no anterior, falei do primeiro capítulo de Babilônia, lá vou eu.  Havia visto o Jornal Nacional e, na sequência, o primeiro e o segundo blocos do primeiro capítulo, que me desanimaram. Parecia estar vendo, na ficção de Babilônia, uma má sequência do noticiário. Subestimei a capacidade folhetinesca do nosso Balzac eletrônico, Gilberto Braga. Meu amigo Dib Carneiro e Cristina Padiglione no jornal, estão em êxtase com a vilania de Glória Pires e Adriana Esteves e, segundo o Dib, Sophie Charlotte, como filha da segunda, está um estouro. Atores. Prossigo o post com um deles. Há tempos queria contar uma coisa que me pareceu muito interessante. Na volta de Berlim, fiquei uns dias em Paris. Inverno, frio do cão. Fui ver o Clint, American Sniper, no Odéon. Aquela é uma das minhas regiões preferidas da cidade, o Carrefour, com cafés e restaurantes. Nove da noite, um frio do cão e… Ops! Aquele ali não é Louis Garrel? O muso de Maria do Rosário Caetano, o filho do pai – Philippe -, tomava um café e fumava, numa mesinha na calçada. Até pensei em abordá-lo, mas preferi manter-me à distância. Algumas pessoas passavam e o reconheciam, mas ninguém se aproximou. Anteontem, em Ipanema, uns 50 fizeram selfie com o Paulo Gustavo. Curiosa essa relação do público – do público popular e, no caso do Louis, do cinéfilo – com seus ídolos. Depois de tantos dias, nem sei se contei que vi Ponte Aérea e adorei o filme de Júlio Rezende com Caio Blat e Letícia Colin, a grande Letícia Colin. A entrevista foi feita dois ou três dias depois do fim de Império e eu falei sobre tudo com o Caio, a novela, o filme da Júlia, que estreia na quinta que vem, e o Entre Dois Amores, de Luiz Henrique Rios, que já entrou. Entre Dois Amores! O título é o mesmo de Out of África, de Sydney Pollack, com Meryl Streep como a baronesa Karen Blixen, na fase pré Isak Dinesen, vivendo aquele romance com o aventureiro Robert Redford, mas aqui se refere ao caboclo do Caio, dividido entre a noiva e a mula. Entre Dois Amores, o nacional, baseia-se em Guimarães Rosa e, por falar nisso, onde anda o Matraga de Vinicius Coimbra, que não entra nunca? Conversei com o Caio sobre televisão, celebridade, sobre os novos filmes – e sobre o próximo, que ele vai codirigir com Domingos Oliveira, fazendo o cineasta quando jovem, em seu famoso cafofo (apartamento) de Copacabana onde, conta a lenda, sexo, drogas e rock’n’roll corriam soltos nos anos 1960 e onde Domingos conheceu e se apaixonou por Leila Diniz. A entrevista com o Caio está no Caderno 2 de amanhã. Conversamos sobre o livro da mulher dele, Maria Ribeiro, Trinta e Oito e Meio, do qual gostei (muito), falamos da separação, que não houve – e, espero, não haja, mas, enfim, é assunto deles. Atores, muitas vezes, me fascinam tanto quanto diretores, mesmo que, como ‘crítico’, devesse me ligar mais nos segundos. Mais uma de ator. De atriz. Gugu Mbatha-Raw. Nunca tinha ouvido falar, não sabia quem era ao entrar no avião da American que me levou para Nova York, para a junkett de Noite sem Fim. Entre os novos filmes oferecidos como entretenimento de bordo estava Belle, de Amma Assante. Vi a sinopse, resolvi conferir. Belle parece seguir as vertente de 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen. Um aristocrata inglês, um aventureiro, tem uma filha com umas negra numas de suas viagens e entrega a garota para a família, antes de desaparecer. Ela é educada,. vira uma linga moça, mas é negra, numa época em que, na Inglaterra, existe escravidão. O pai lhe deixa sua fortuna, ela é negra, rica e proprietária, mas existem leis restritivas que o filme conta como serão derrubadas. Nunca tinha ouvido falar daquela Gugu. Gostei demais. Na sequência, vi outro filme com ela, também no avião. Beyond Lights/Além das Luzes. Gugu é linda, classuda, boa atriz – e sexy. Fui procurar na internet e descobri que ela também está em O Destino de Júpiter, a space opera dos irmãos Wachowski. Tinha me passado despercebida. Te cuida, Lupita Nyong’O, porque a Gugu, essa Gugu, não é mole não.