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Luiz Carlos Merten

25 Fevereiro 2008 | 10h05

Achei desrespeitoso da minha parte ter-me referido ao ator iraniano de ‘The Song of Sparrows’, vencedor do Festival de Berlim, como Reza Qualquer-Coisa. É Reza Naji e ele está muito bem no filme de Majid Majidi, o que significa que o júri presidido por Costa-Gavras não quis ser simplesmente exótico, ‘sonegando’ o prêmio de interpretação masculina a Daniel Day-Lewis, pelo ‘Sangue Negro’, que também concorria. Sobre o Day-Lewis preciso acrescentar uma ou duas coisas. Também me surpreendi com sua referência ao filho com Isabelle Adjani, porque o que postei aqui no blog foi com base na entrevista do ator à revista de bordo da Air France (e aos comentários que sobre ele fazia o autor do texto). A outra coisa é a seguinte. Na saída do jornal, quase 3 de manhã, depois do fechamento da edição, ganhei carona para casa do meu editor, Dib Carneiro, que achou o Daniel Day-Lewis o máximo no filme de Paul Thomas Anderson (e não compartilhava o meu entusiasmo por Johnny Depp nem por Viggo Mortensen). Comentei com o Dib. Gosto de fazer as duas coisas, crítica e reportagem, mas às vezes me pergunto se não terão razão as pessoas que dizem que o crítico tem de se isolar, não se envolvendo com as equipes dos filmes que analisa, para que isso não interfira na sua avaliação? Morreria, se tivesse de optar, mas ontem foi um daqueles dias em que me perguntei – será…? Pois a verdade é que na entrevista que fiz com ele em Berlim, achei o Day-Lewis insuportável. Todo mundo a dizer que ele era o máximo e o Daniel blasé, fazendo o tipo ‘não estou nem aí para prêmios’ (mas ele veste o seu black-te e vai correndo buscar o Oscar). Acho o comportamento falso. Quem não liga não vai. Faz como o Marlon Brando, que mandou aquela garota pele-vermelha, Sacheen Littlefeather – nunca esqueci o nome dela – receber seu Oscar por ‘O Poderoso Chefão’. Claro, nem todo o mundo tem o culhão (sorry…) do Marlon Brando, mas Daniel Day-Lewis me dá a impressão de querer ficar em cima do muro. Critica Hollywood para a imprensa, porque rende pontos, mas segue direitinho as regras do jogo. O que isso tem a ver com a interpretação dele em ‘Sangue Negro’? Nada, reconheço, mas me pergunto se não interferiu na minha avaliação, me fazendo gostar mais dos outros dois atores.