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Cultura » Atendendo a ‘meio’ pedido do Mauro

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Luiz Carlos Merten

29 Junho 2009 | 13h14

Mauro Brider me pede que comente dois filmes de Delmer Daves. Já falei aqui como Daves, o chamado documentarista do western, é respeitado por seus bangue-bangues, mas não dispõe da mesma reputação por seus outros filmes. No ‘Dicionário de Cinema’, Jean Tulard assinala que a fase final do diretor, marcado por seu gosto por melodramas considerados ‘atrozes’, explica a reticência de muita gente em aceitar a entrada de Delmer Daves no rol dos grandes. Até recentemente, conhecia ‘Prisioneiro do Passado’ (Dark Passage, de 1947) somente de ouvir falar. O filme integra uma caixa de Humphrey Bogart que permanecia intocada na minha estante. Assisti-o, finalmente, e acho que Tulard não exagera ao definir o noir de Daves como ‘admirável’. A história adaptada de David Goodis mostra Bogart como esse fugitivo que troca de rosto por meio de uma cirurgia plástica e se esconde no apartamento de Lauren Bacall. Daves havia se iniciado como roteirista de filmes de prestígio como “A Floresta Petrificada’, de Archie Mayo, e ‘Love Affair’, a primeira versão – ‘Duas Vezes’, de 1938 – de ‘Tarde Demais para Esquecer’, de Leo McCarey. faz décadas, literalmente, que não vejo ‘Demetrius e os Gladiadores’. Confesso que até comprei o DVD, que deve andar perdido nas pilhas de DVDs espalhadas pela minha casa. Mas a minha visão desse filme é uma coisa muito antiga. Ou eu me engano ou devo ter visto num festival, quando foram reprisados ‘O Manto Sagrado’ e sua sequência. Ah, sim. A palavra ‘festival’ tinha outro sentido para a gente, naquele tempo. Reuniam-se westerns, filmes de guerrra, melodramas, sucessos dessa ou daquela distribuidora em ‘festivais’ que, em geral, duravam uma semana. Sete filmes, um por dia… Nem ‘O Manto Sagrado’ nem ‘Demeterius’ dispõem, de boa reputação. ‘O Manto’, de Henry Koster, entrou para a história como o primeiro cinemascope e só. Lembro-me de Fritz Lang ironizando o formato e dizendo que só era bom para enquadrar caixões de defunto. Mas eu gosto, ou pelo menos me lembro da cena de Jean Simmons desafiando o imperador Calígula (Jay Robinson) para ser condenada à morte com seu amado tribuno Richard Burton. Na sequência, o imperador tenta localizar o manto que pertenceu a Cristo. Demetrius, Victor Mature, que acompanhava o tribuno, agora virou gladiador e se envolve com Susan Hayward. É um épico sobre os primitivos cristãos, como ‘Quo Vadis?’, de Mervyn LeRoy. Todas aquelas cenas de martírio na arena do Coliseu… Não tenho uma lembrança clara de ‘Demetrius’. Ou me engano ou Victor Mature, de posse do manto, e antes de também assumir que é cristão, joga o tecido no sádico imperador, que se acovarda (e encolhe). Estarei delirando? Se localizar o filme, vou revê-lo. Lembro-me que o grande elenco inclui Michael Rennie, Debra Paget, Anne Bancroft, Richard Egan e Ernest Borgnine. Mas vou dever ao Mauro uma opinião sobre ‘Demetrius’.