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Luiz Carlos Merten

25 Outubro 2008 | 15h54

Ao redigir o título do post anterior – Cerimônia do Adeus -, dei-me conta de algo que não relatei aqui. Na quarta pela manhã, estava me aprontando para sair de Los Angeles quando resolvi dar uma zapeada na TV. Tinha de estar às 11 horas no aeroporto, e lá pelas 9h30 descobri que passava ‘Cerimônia Secreta’, um dos mais belos filmes de Joseph Losey, com Elizabeth Taylor e Mia Farrow, que não revejo há anos. Vi uma meia-hora e teria ficado mais, se não corresse o risco de perder meu vôo de volta. Mas o que era o Losey? Nenhum outro diretor construía grilhões psicológicos como ele para falar de relações de dominação e de classe. E os movimentos de câmera? E todas aquelas portas que se fecham sobre as personagens, criando uma atmosfera claustrofóbica? Aquilo é que era mise-en-scène, o resto é bobagem. Mudando de assunto, é hoje o dia de Fassbinder na Mostra, ‘Berlim Alexanderplatz’. Tenho de confessar que nunca vi o filme inteiro. Zanin, meu colega Luiz Zanin Oricchio, que me ouviu dizer isso na redação do ‘Caderno 2’, revelou – pasmem! – que viu a série completa, com suas 15 horas, não uma, mas três – três! – vezes. Foi ele quem disse, a título de brincadeira, que é a sua perversão. Ainda não vai ser desta vez que vou ver o filme completo, mas prometo fazê-lo. Afinal, já ganhei a caixa da Versátil com a íntegra – restaurada – da obra famosa de Fassbinder. Falei aqui outro dia sobre um livro que comprei em Los Angeles. Chama-se ‘Phallic Frenzy’, cujo autor é Joseph Lanza. Lendo, descobri uma coisa interessante. Lanza descreve um filme de Russell, feito para TV – ‘A Dança dos Sete Véus’, sobre Richard Strauss – e é, sem tirar nem por, o epílogo de ‘Berlin Alexanderplatz’, aquela parte que Fassbinder chamou de ‘My Dream of Biberkopf’s Dream’. Muito sugestivo – até os mestres têm mestres, por que não?