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Cultura » As putas (não tristes) de Buñuel

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Luiz Carlos Merten

23 Fevereiro 2008 | 12h38

Naquele post sobre Alain Robbe-Grillet citei ‘O Jogo com o Fogo’, com seuy bordel cheio de perversões (e pervertidos) para ninguém botar defeito. Desde que redigi aquilo le lembrei de algo que li em Berlim, sobre ‘A Bela da Tarde’, na retrospectiva de Luis Buñuel. Não me lembrava, sinceramente, mas a fonte era ‘Meu Último Suspiro’, o livro de memórias que Don Luis escreveu em parceria com Jean-Claude Carrière. Explicando o sucesso de ‘A Bela da Tarde’, ele disse que fez o filme como todos os outros de sua carreira e o que fez a diferença foram as putas (desculpem , mas não dava para colocar p… – é Buñuel falando) do bordel de Madame Anaïs. Havia gente pelo ladrão em todas as sessões de ‘A Bela da Tarde’, mas consegui meu ingresso. Fazia um tempão, acho que desde os anos 60, que não revia o filme. Surpreendeu-me, tanto depois, a riqueza de sua linguagem, e o humor, e o erotismo. Não é meu Buñuel favorito – oscilo entre ‘O Anjo Exterminador’ e ‘O Discreto Charme da Burguesia’ -, mas as putas de Buñuel (e a Sévérine de Catherine Deneuve) também fazem parte das minhas lembranças inesquecíveis do cinema.