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‘As Pontes de Madison’

Luiz Carlos Merten

13 Julho 2009 | 12h08

Longe de mim alimentar preconceito contra quem quer que seja, mas Marcos Caruso no papel de Clint Eastwood? Isso ocorre no teatro, com a versão de ‘As Pontes de Madison’, que estreia nesta semana (sexta-feira). Meu amigo Dib Carneiro Neto viu a montagem parisiense com Alain Delon e não gostou muito – da adaptação até menos do que do astro (que, aliás, formava dupla com sua ex, Mireille Darc), mas Dib é fã de carteirinha do filme, que considera um dos melhores Clints, e isso deve fazer uma diferença enorme. Quero dizer, mesmo me expondo à execração, que não foi um Clint que tenha me impressionado muito, quando estreou no cinema. Na verdade, só descobri ‘As Pontes de Madison’ na TV paga, quando o (re)vi sucessivas vezes, assimilando o encanto da história que, embora baseada num livro (de Robert James Waller), se assemelha muito mais a um remake disfarçado de ‘Brief Encounter’, de David Lean. O fotógrafo do National Geographic Clint visita Iowa, nos anos 60, para documentar pontes da região e topa com essa dona de casa vagamente insatisfeita e que está sozinha em casa, porque o marido e os filhos partiram numa viagem curta. Ela é Meryl Streep, que mais de dez anos antes co-protagonizara, com Robert De Niro, outra adaptação camuflada de ‘Desencanto’ – ‘Amor à Primeira Vista’, de Ulu Grosbard, que me agradara mais. Clint e Meryl formam uma bela dupla, madura, mas alguma coisa me incomodava e acho que era a sensação de ‘déjà vu’, não apenas em relação a ‘Desencanto’ e ‘Amor à Primeira Vista’, mas em relação a outro Clint, porque, apesar de todas as diferenças, ‘As Pontes’ veio como um prolongamento de ‘Um Mundo Perfeito’, este sim, um filme do qual gostei muito, mas que, logo após a consagração de ‘Os Imperdoáveis’ (Unforgiven), teve para muita gente um sabor de anti-clímax. ‘Os Imperdoáveis’ era sombrio, ‘Um Mundo Perfeito’ era luminoso, para celebrar a inocência reencontrada e acho que foi isso que Clint buscou de novo, quando o relato de Meryl nas ‘Pontes’ é filtrado pela voz dos filhos já crescidos que lêem a carta em que ela os informa do seu ‘affair’ passado. Engraçado é que comecei este post assim, meio ao azar, porque havia falado com o Bira, meu colega Ubiratan Brasil, que viu ‘As Pontes’ em pré-estreia, na semana passada, em São Bernardo. Ele vai fazer o texto de apresentação da montagem para o ‘Caderno 2’ de sexta. Só sei que fiquei com uma vontade danada de rever ‘as Pontes de Madison’!