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Luiz Carlos Merten

15 Setembro 2010 | 08h31

As novidades do dia. News on March, como dizia Orson Welles no começo de seu cultuado ‘Citizen Kane’. Sophia Loren vai ganhar um prêmio de US$ 180 mil como uma das cinco personalidades do ano na cultura e no meio arístico. O troféu, outorgado no Japão, contempla artistas (uma atriz, um pianista, um arquiteto etc) como um ‘life achievement’. Sophia merece. Foram tantos grandes papeis ao longo de sua carreira, embora, neste momento, o primeiro que me veio tenha sido o de Ximena no épico ‘El Cid’, de Anthony Mann. Penelope Cruz está grávida de quatro meses e meio. Lembro-me do pai da criança, Javier Bardem, em Cancún, no verão da Sony. Ele deu entrevistas de grupo. No meu, um japonês afoito começou perguntando por Penelope e Javier foi incisivo – não falava de vida pessoal. Depois de meia dúzia de perguntas, ensaiei o caminho mais árduo. Se ele falava de Julia Roberts e Scarlett Johansson, era injusto que não falasse também sobre Penelope, que conheceu no começo da carreira de ambos, em ‘Jamón Jamón’, de Bigas Luna, acho que em 1991 ou 92. Javier riu, mas disse que falar sobre a ‘colega’ não me traria nada de novo que eu já não soubesse, sobre como ela é maravilhosa. E uma sobre cinema brasileiro. ‘É Proibido Fumar’ foi o grande vencedor do prêmio Contigo, na segunda-feira à noite. Sabia do prêmio, mas não sobre os indicados. O longa de Ana Muylaert ganhou como melhor filme, diretor(a) e atriz, Glória Pires. ‘Chico Xavier’, de Daniel Filho, venceu o prêmio do público e Nelson Xavier e Tony Ramos foram, respectivamente, melhor ator e melhor coadjuvante para o público e Glória bisou seu prêmio de atriz. Glória virou a unanimidade de 2010 no cinema brasileiro, e olhem que ela também poderia ter sido premiada pelo filme maldito de Fábio Barreto, ‘Lula – O Filho do Brasil’. Para fechar o post, outra nota sobre cinema brasileiro. ‘Nosso Lar’ já fez 1,4 milhão de espectadores. Fico feliz pelo diretor Wagner de Assis e por minha amiga, a produtora Iafa Britz, que estreia com pé direito em sua nova casa, depois de sair, em busca de voos próprios, da Total Entertainment. Face ao sucesso, é muito provável que ambos se atraquem no projeto de ‘O Mensageiro’ – é singular ou plural, ‘Mensageiros’? -, também adaptado de Chico Xavier. Não gosto de ‘Nosso Lar’. Acho o filme muito brega, declamado como teatro amador (por um elenco de prestígio, o que é pior), mas o público, logicamente, tem outra percepção do filme (e de sua ‘mensagem’). ‘Nosso Lar’ está pintando como supercampeão de bilheterias, podendo superar ‘Chico Xavier’, ‘2 Filhos de Francisco’ e ‘Se Eu Fosse Você 2’. Legal. Não serei eu a desqualificar o gosto do público, até porque gosto quando filmes que aprecio ganham apoio das grandes plateias, mas duvidava um pouco que ‘Nosso Lar’ fosse arrebentar com tal intensidade. Sei da força da doutrina espírita no Brasil, mas acho que ‘Chico Xavier’ é mais palatável para qualquer público, um pouco porque é mais bem realizadop (e interpretado), mas também porque o personagem, em si, é mais universal (em seu humanismo radical).