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As muitas faces de Churchill

Luiz Carlos Merten

11 Janeiro 2018 | 10h06

Vou ver agora à tarde o Churchill de Joe Wright, que valeu a Gary Oldman o Globo de Ouro de melhor ator, mas estou duvidando que ele seja melhor do que Brian Cox no papel, e o outro nem foi indicado para o prêmio da Associação de Correspondentes Estrangeiros. Cox e Miranda Richardson estão excepcionais no longa de Jonathan Teplizthy, diretor que não conhecia. Já o Wright, conheço e gosto muito, o que quebra a minha falta de expectativa, porque dele sempre espero alguma coisa muito especial – os planos sequências que estão no centro de sua elaborada (sempre!) mise-en-scène. Já entrevistei o diretor e o tema foi justamente esse. O admirável plano contínuo de Orgulho e Preconceito, e numa cena de baile! O de Desejo e Reparação na cena da praia, na guerra – Dunquerque! -, que a maioria da crítica ignorou porque ‘o livro de Ian McEwan é melhor’, façam-me o favor. Não apenas Wright. Também entrevistei, há anos, Gary Oldman, e reclamei dele que se havia transformado em vilão de carteirinha. Perguntei se ia ficar fazendo só aqueles papeis que não lhe exigiam esforço. Ele devia estar humorado, porque riu e me disse que era preguiçoso. Havia chegado a um estágio da vida que queria trabalhar menos, de preferência num estúdio perto de casa, e com horário para voltar. Espero, realmente, que esteja bem como Churchill, que o filme tenha os belos planos sequências do diretor e que Gary Oldman retome o gosto por papeis que lhe exijam mais. Além de Gary e Brian Cox, fiquei pensando quantos atores já fizeram o papel. Um monte. Simon Ward em O Jovem Leão, de Richard Attenborough, sobre seus verdes anos, quando se iniciou na política, após participar da Guerra dos Bóeres; Timothy West num telefilme de Alan Gibson, mas que passou nos cinemas, Churchill e os Generais, sobre a relação conturbada com militares como Eisenhower e, especialmente, Montgomery, uma parte de sua atribulada vida que está no centro do Churchill de Teplitzky; outro telefilme, When Lion Roared, sobre como ele construiu as alianças com Roosevelt e Stálin para derrotar o nazi-fascismo, e Bob Hoskins faz o papel, sendo a direção de Joseph Sargent, um pequeno diretor de grandes filmes na TV e no cinema; e Albert Finney em O Homem Que Mudou o Mundo, de Richard Loncraine, sobre o início de sua ligação com Clementine/Vanessa Redgrave, que o ajudou na travessia do deserto, numa fase em que estava depressivo e desacreditado, mas já alertava para o risco da ascensão de Hitler na Alemanha. Não fiz nenhuma pesquisa. Deve haver mais, filmes e atores. Só sei que estou curioso pelo novo Churchill das telas. Mas antes preciso ver – agora – o documentário de Paulo Caldas, Saudade. Depois, continuo.