Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Às favas…

Cultura

Luiz Carlos Merten

24 Julho 2007 | 16h35

Não ia postar nada sobre o assunto, mas agora o post está me vindo como conseqüência do anterior. Fui ver a peça Às Favas com os Escrúpulos, de Juca de Oliveira, com Jô Soares. Juca faz um político corrupto casado com Bibi Ferreira. Ela descobre os podres do marido – que a secretrária é amante dele, que o cara tem conta no exterior, aquelas coisas que a gente associa à politicagem. Bibi, na peça, ameaça denunciar o marido. Ele fica a um passo de matá-la. Texto e montagem – essa última assinada por Jô Soares – fazem com que o público ria o tempo todo da podridão da política. Político não presta – ha-ha-ha. A platéia morre de rir. Mas aí, na pirueta final, Bibi faz exatamente o que condenava no marido (não vou dizer como) e a platéia segue rindo. Ha-ha-ha. Devia todo mundo ter-se engasgado. Achei o espetáculo aquilo que Truffaut diria – o teatro da sala de jantar, para as pessoas da sala de jantar. Mas depois fiquei pensando – gente, será que era subversivo? Será que toda aquela mediocridade era intencional e, portanto, genial? Às Favas com os Escrúpulos confronta aquele público ‘burguês’ com a sua falta de escrúpulos, que não difere da dos políticos que estão sendo condenados. Faz tudo parte do mesmo movimento. Façam, agora, vocês a ponte entre este post e o anterior e depois me digam se defender direitos humanos é rezar na cartilha de que preso bom é preso morto.