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As duas faces da moeda

Luiz Carlos Merten

28 Dezembro 2006 | 19h13

A respeito da lista de melhores do ano, publicada no Caderno 2, fiz uma básica que espero que o leitor complemente, porque o meu melhor filme não precisa ser o dele. Amo o Gitai, gostei demais do The Prestige, mas olhaqui Cláudia – de maneira alguma acho que é forçar a barra comparar Munique com Paradise Now e achar os dois filmes complementares. Ambos estrearam no mesmo dia, 27 de janeiro, e desde então tenho sido um apaixonado defensor da tese de que as visões de Steven Spielberg e Hani Abu Assad não apenas se complementam como abrem um território imenso para a discussão do que seja o cinema (e o terrorismo, como fenômeno político contemporâneo). Não penso que Munique, com seu grau de indagação (e indignação) ética, seja uma diversãozinha do Spielberg para concorrer ao Oscar. Para mim, Munique fecha a trilogia que começou com O Terminal e prosseguiu com Guerra dos Mundos. Acho que são os filmes que melhor expressam os EUA de George G. Bush – e isso sem nenhuma referência ao 11 de Setembro. Com autoridade, Spielberg discute a paranóia que vem minando internamente e vai terminar destruindo, aos olhos de todo o mundo, a idéia dos EUA como uma grande nação. O mais curioso é que fui construindo aquela lista e nem reparei que tinha selecionado dez filmes. Foi o Dib Carneiro, meu editor, quem observou – se tivesse me pedido para fazer uma lista de dez, eu não faria, segundo ele. Zuzu Angel, que tem aquela cena genial do encontro de Patrícia Pillar com Nelson Dantas, não é, para mim, um dos grandes filmes do ano, mas a cena, em si, é tão forte que não resisti. Achei que merecia ser lembrada. Prometo voltar aos melhores, aqui no blog, até domingo, dia 31, quando termina o ano. Mas espero que todos se sintam livres e estimulados a estabelecer um ranking. Não precisam ser dez filmes. Não precisa ser uma lista. Apenas a resposta à pergunta – do que gostei no cinema em 2006? O que me emocionou? O que aponta rumos? Participe!