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Luiz Carlos Merten

26 Julho 2008 | 10h24

Já contei para vocês que o Festival de Wroclaw – ERA New Horizons – este ano prestou homenagens a Terence Davies, Theo Angelopoulos e ao cinema neo-zelandês, além do brasileiro. Não me lembro se comentei que também houve uma retrospectiva dedicada a Dario Argento e eu bem que tentei rever ‘O Pássaro das Plumas de Cristal’, mas estava lotado. Em pleno festival, eu dava uma olhada rápida pelo catálogo, atrás de filmes para ver. No avião, voando para Paris, li os textos sobre Davies e Angelopoulos. Imagino que depois que eu saí de lá o Angelopoulos tenha ido receber pessoalmente sua homenagem. Davies recebeu a dele e foi muito simpático e afetuoso num encontro que tivemos durante o coquetel da embaixada (ou consulado) do Brasil. Gosto bastante de Terence Davies e espero que o belo documentário dele, ‘Of Time and the City’, venha para o Festival do Rio e para Mostra de São Paulo, mas agora quero falar sobre um coisa que li do Angelopoulos. É um comentário dele sobre seu primeiro longa, ‘Reconstrução’, de 1970. Angelopoulos diz que chegou numa pequena cidade. Tudo era cinzento e havia uma mulher (idosa) que desapareceu num vinhedo. Ele ouviu alguém cantando num café próximo e a imagem, o som, a chuva que começou a cair, este breve momento se tornou tão único – e mágico – que influenciou todo o cinema que ele fez depois muito mais do que a herança de um século de filmes. Bonito, não? Sei que Angelopoulos não é para todos os gostos. ‘Cahiers du Cinéma’ o ignora, chama-o de ‘pompier’, mas eu me amarro nos planos-sdeqüências do diretor grego, especialmente em filmes como ‘Paisagem na Neblina’ e no primeiro episódio – inédito, acho que não passou nem na Mostra – de sua ‘Trilogia’, ‘The Weeping Meadow’. Mais uma coisa sobre Angelopoulos. Duas, a outra sobre Terence Davies. O festival deu carta-branca aos dois homnenageados para que escolhessem filmes de sua preferência. Angelopoulos selecionou ‘A Aventura’, do Antonioni; ‘A Palavra’, do Dreyer; ‘Contos da Lua Vaga’, de Mizoguchi; e ‘Cinzas e Diamantes’, de Wajda, que eu revi e que coisa mais maravilhosa que é aquele filme. Davies escolheu só três, que também foram exibidos – ‘Meet Me In St. Louis’, o musical de Minnelli, que no Brasil se chama ‘Agora Seremos Felizes’; a comédia ‘As Oito Vítimas’, Kind Hearts and Coronets, de Robert Hamer; e ‘Soberba’, The Magnificent Ambersons, de Orson Welles. Escolheram bem os caras, hein?