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Luiz Carlos Merten

04 Fevereiro 2007 | 10h51

Olá! eis-me de volta. Fui ontem, ao Rio para visitar dois sets da Total Filmes. O primeiro foi o de A Guerra dos Rochas, o novo filme do Jorge Fernando, no qual demorei mais. Dali fui para o de Sexo sem Amor, que assinala a estréia do Wolf Maya na direção de cinema. Nenhum dos dois têm a pretemnsão de ser filme de arte. São filmes comerciais e a Total não nega que seja esse seu objetivo – não é por acaso que a empresa tem aquele ‘entertainment’ no nome. Mas eu admiro duplamente a Walkíria Barbosa, a Iafa Britz e seus parceiros porque têm esse projeto de um cinema industrial, com continuidade de produção, e no outro extremo estão comprometidos com a realização do Festival do Rio, que é um grande, maravilhoso evento de cinema (e, no qual, ali sim, tenho visto filmes de arte de tirar o chapéu). Enfim, sem querer voltar ao assunto produção, quero registrar que a Total realiza o que talvez não seja inédito (e que os produtores da Boca, em São Paulo, ou Sganzerla e Bressane, na Bel Air, com toda certeza já haviam feito) – são dois filmes ao mesmo tempo, com a diferença de que empregam cerca de 450 pessoas, em produções de R$ 3 milhões e R$ 4 milhões, que criam problemas e necessidades que tiveram de ser resolvidos em escala industrial (a alimentação de todos esses profissionais, por exemplo). Os dois filmes são remakes – A Guerra dos Rochas, da produção argentina Esperando la Carroza, de Alejandro Doria, e o Sexo em Amor de um filme chileno de mesmo nome, ambos grandes sucessos em seus respectivos países. Tive uma surpresa no set de A Guerra dos Rochas. Sabia que o filme era interpretado por Ary Fontoura, mas não sabia que ia encontrar o Ary em seu dia de Tootsie. Ele faz uma mulher, uma velha tirana, muito divertida, escorraçada da casa dos filhos e que, de repente, é dada como morta. O espírito é o de Parente É Serpente, grande comédia de Mario Monicelli (e não tenho ilusões de que A Guerra possa sair tão bom, embora Deus queira que seja um programa divertido e, até pela interpretação do Ary, pouco banal.) Engraçado – entrevistei há dias Ana Carolina para o Caderno 2 e ela me disse que, no filme que não consegue dinheiro para fazer, A Primeira Missa, Myrian Muniz ia atuar travestida, num papel de homem. Achei o Ary, vestido de mulher, parecidíssimo com a Muyrian e até perguntei se era intencional. Ele achou graça. É ator de televisão, teatro e pouco cinema. Pouco, mas bom – fez Mar de Rosas, justamente da Ana Carolina (com Norma Bengell e Cristina Pereira, primeiro filme da trilogia). Ary está muito engraçado, mas sua Dina (é o nome da personagem) não é farsesca, nem chanchadeira. O restante do elenco pode jogar o humor lá em cima (é a proposta do Jorge), mas ele representa realisticamente. O que vai dar disso, só saberemos em janeiro do ano que vem, quando A Gurerra dos Rochas chegará aos cinemas, distribuído pela Fox.