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Luiz Carlos Merten

15 Setembro 2010 | 11h53

Hoje pela manhã, dei uma zapeada pela TV paga, antes de sair de casa. Peguei uma cena de ‘Traffic’, não uma cena qualquer, mas aquela em que Benicio Del Toro cava a própria sepultura, mas é poupado no último momento. Nunca fui muito fã do filme de Steven Soderbergh, que ganhou o Oscar de direção – e o de coadjuvante, para o próprio Del Toro, além de mais duas estatuetas, a de roteiro adaptado (Stephen Gaghan) e a de montagem, que teria de pesquisaer, para descobrir a quem foi outorgada. ‘Traffic’ investiga o tráfico de drogas na fronteira mexicana de diversos pontos de vista. É interessante, mas o filme nunca me convenceu plenamente, embora a parceria com Del Toro e o compromentimento com a cultura ao sul do Rio Grande devam ter sido decisivos para que Soderbergh fizesse o seu ‘Che’. Confesso que gosto menos ainda do épico sobre o revolucionário argentino/cubano e que, em materia de Che ficcional, prefiro o jovem Ernesto de Walter Salles (e Gael García Bernal). Mas quero dizer o seguinte – descontextualizada, a cena de Benício me pareceu muito forte e eu sofri na pele toda a tensão quando ele vê o colega que também cavava sua sepultura ser abatido e é arrastado para dentro do carro pelos algozes, que lhe dizem que aquilo era um teste e ele foi aprovado. Benicio é muito bom. O pavor nos olhos do macho, a relaxada de descobrir que ainda está vivo. Boa cena, bem filmada. Ainda zapeando, vi outra cena de um filme que tem me perseguido nos últimos dias. Várias vezes peguei andando o tal de ‘Arranca-me a Vida’, de Roberto Sneider, um diretor mexicano importante, com Ana Claudia Tarancón. As cenas prometem – uma mulher que se casa com um político ambicioso e ele quer chegar a presidente. O cara é brutal, sanguinário, ela se envolve com um jovem sensível, um maestro. Não calhou de eu ver ‘Arranca-me a Vida’ inteiro, nem mesmo de ir até o fim no bonde que pego andando. Tenho visto esses (diferentes) fragmentos. Alguém conhece? O filme é bom? Dei uma olhada na internet e vi que ganhou vários prêmios no México, inclusive o da crítica para Ana Claudia. Só para fechar o post. Fui rever ontem ‘Amor à Distância’, com Drew Barrymore e Justin Long. Gostei mais ainda. Só para cutucar. Alguém me disse que, na concorrência, a comédia de Nanette Burnstein foi tratada a pontapés e que seu roteiro teria sido despachado como ‘repetitivo’. Não sei se entendi, mas, só para provocar, ‘repetitivo’ é uma ideia que se pode aplicar com muito mais propriedade a certos filmes de Resnais, ‘Hiroshima’ e ‘Marienbad’, e são clássicos, não?

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