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Luiz Carlos Merten

19 Fevereiro 2010 | 18h43

BERLIM – Nao vi muita coisa da mostra Fórum, na Berlinale de 2010. Vi toda a competicao, alguma coisa da Geracao, bastante do Panorama, arrisquei matar a saudade de algum clássico na retrospectiva etc. Mas tenho de dizer que, nao sei se por sorte, assisti ao vencedor do premio da crítica no Fórum. Havia encontrado o Avellar (José Carlos) e ele corria para assistir ao filme colombiano El Vuelco del Cangrejo, de Oscar Ruiz Navia. Na hora me despedi, mas depois pensei com meus botoes – Avellar faz a selecao de Gramado e, se está correndo atrás desse colombiano, é porque deve ter alguma referencia. Fui ver o filme, que tem seus defeitos, mas a presenca desse estranho, desse forasteiro numa comunidade de pescadores (de caranguejos) causa um estranhamento, o filme tem tensao erótica. Numa cena, os caras, após uma partida de futebol na praia, bebem e falam de mulheres – ou da mulher que todos desejam e que, a essa altura, já cedeu para o estrangeiro -, uma linguagem chula, mas tem ali uma vitalidade, um olhar eu diria até etnográfico que me fascinou. Achei bem interessante e ia até comentar com o Avellar e agora o filme foi o favorito da crítica no Fórum. Em seu discurso de agradecimento, Navia disse que demorou cinco longos anos para concluir Crab Trap (o título internacional). Sua felicidade era a prova de que o esforco valeu. Foi engracado. Ao chegar na sala em que ocorreu a premiacao da Fipresci havia aquele sujeito que filmava com seu celular. Achei-o conhecido, mas nao me vinha quem era. Achei que poderia ser alguém do Brasil e já estava me mortificando – quem é? Era o ator de El Vuelco del Cangrejo, que deixou crescer uma barba e estava paramentado de inverno (no filme, na praia, ele anda bem à vontade, isso é, quase sem roupa). Conversei com o diretor e o ator. falei em Gramado. Navia se entusiasmou e me ofereceu um cartao. Preciso repassar para o Avellar.