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Luiz Carlos Merten

06 Maio 2008 | 14h27

Apertem os cintos, vai ser hoje. Agora! Ruth Elizabeth Davis… Antes de falar sobre Bette Davis, quero contar uma coisa que pode parecer presunçosa. Estou há quase 20 anos em São Paulo. Cheguei dia 10 de dezembro de 1988. Em maio de 89, comecei a trabalhar no ‘Estado’, fazendo uma substituição de férias. Em agosto daquele ano, fui efetivado São quase 19 anos de ‘Caderno 2’. Acho que demorei tanto para acatar a vontade de vocês de que eu falasse sobre Bette Davis porque, lá no meu inconsciente, eu avaliava se devia contar essas coisas. Bette Davis morreu em outubro de 1989, aos 81 anos. Neste mês de abril, no dia 5, comemorou-se o seu centenário. Ela morreu numa sexta-feira e o anúncio foi feito no sábado pela manhã. Eu estava na folga de fim de semana e não me lembro mais quem estava na edição, preparando o domingo, mas com certeza era um fã da atriz que moveu céus e terra para me localizar. Vim correndo para a Redação. A idéia era produzir uma página sobre Bette Davis. Naquele tempo, a gente datilograva os textos, em papel. Quando cheguei no jornal, tinha, sei lá, uma hora para produzir a tal página, distribuída em várias retrancas. Pedi só as informações bem factuais. quando, onde, de quê morrera. O restante veio num jorro. Produzi aquela série de textos tão rapidamente que deixei todo mundo surpreso. Já? Acho que aquilo teve um efeito divisor de águas na minha história aqui no ‘Estado’. Perdoem-me por contar isso, mas eu ainda tenho essa ligação pessoal com Bette Davis. Ali, também, eu senti que devia ficar nesta cidade. A jovem Bette Davis – nunca houve uma atriz como ela. Dei uma parada e fui ao arquivo do jornal, em busca da pasta de Bette Davis Lembrava-me exatamente desta frase e fui lá resgatar o texto. Vou transcrever uma parte, coisa que nunca faço. Vamos lá – Hollywood produziu grandes estrelas mnas décadas de 30 e 40, figuras míticas como Greta Garbo, Marlene Dietrich, Ingrid Bergman, Joan Crawford, Katharine Hepburn. Todas fazem parte do imaginário do espectador do século 20, mas Bette Davis era um arraso na tela quando interpretava seus papéis de mulheres dominadoras e voluntariosas. Ela tinha 30 anos quando recebeu seu segundo Oscar, por ‘Jezebel’, de William Wyler, em 1938. Três anos antes, recebera o primeiro por ‘Perigosa’, de Alfred Green, mas o caso de ‘Jezebel’ é exemplar, em toda a história do prêmio da Academia de Hollywood, porque poucas vezes ele foi tão bem atribuído. (Vou prosseguir daqui a pouco. Pausa para almoço.)

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