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Luiz Carlos Merten

21 Abril 2008 | 14h11

Quem foi mesmo que me cobrou um post sobre ‘Once’? Achei o filme do irlandês John Carney muito bonito, muito singelo. Não falei no blog porque a crítica já estava saindo no sábado, no ‘Caderno 2’, mas recomendo. Vou ficar, de qualquer maneira, devendo a informação que o Felipe (foi ele, me lembrei) me pediu. Não sei, sinceramente, se a Markét Irglová é a mais jovem vencedora do Oscar de canção. Perguntei a meu colega Ubiratan Brasil, que fez a cobertura do Oscar direto de Kodak Theatre para o ‘Estado’ e ele não se lembra de ter ouvido nada a respeito. Se alguém souber… Carlos Quintão me corrige – ‘Stagecoach’, de John Ford, chamou-se ‘No Tempo das Diligências’, nos cinemas brasileiros. É verdade. ‘A Última Diligência’ foi a versão de Gordon Douglas, o remake, em 1966, que eu sou o único a defender. Tudo bem, o Ringo Kid de Ford era o jovem John Wayne, mas o de Douglas, Alex Cord, era bom, mesmo que não tenha prosseguido sua carreira. E a Dallas de Gordon Douglas? Ann-Margret… Como as pessoas não acharam genial a rugosidade do cenário de ‘A Última Diligência’? Montes, pedras e barro em oposição à linearidade da planície de Ford? Como não se sensibilizaram com a cena da estalagem, quando Douglas divide o cenário, põe lá em cima os ‘respeitáveis’ e senta Dallas e o Kid lá em baixo, numa mesa isolada? Não entendo essa gente, mas acrescento que Gordon Douglas sabia, como poucos, utilizar o cenário em seus filmes. Considerando-se que era só um ‘artesão’, a divisão em planos de ‘A Última Diligência’, à importância conferida à cama da estrela e à escrivaninha do produtor, ambas enormes, em ‘Harlow’ e aquela cidade (que é só fachada) do general sulista louco de ‘Rio Conchos’ compõem uma visão muito autoral que nunca cessa de me surpreender, e encantar, quando revejo esses filmes.