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Luiz Carlos Merten

12 Dezembro 2006 | 09h56

Foi o menor quórum de críticos de cinema nas votações recentes da APCA, mas o colegiado da Associação Paulista dos Críticos de Artes que se reuniu ontem para apontar os melhores de 2006 foi o melhor, em anos. Não apenas porque fez a coisa certa, na minha opinião, mas porque discutimos os filmes, e isso foi muito legal. Em anos anteriores, as pessoas chegavam com posições fechadas, votava-se e ganhava quem tinha a maioria simples. Desta vez, éramos seis, apenas, e cada uma das sete categorias pode ser discutida e avaliada. Não quero colocar sob suspeita as votações anteriores – não! –, mas esta envolveu o mínimo de discussão, troca de idéias e é para isso que deve existir uma associação como a APCA e não apenas para distribuir prêmios – por mais que estes sejam importantes (e reconhecidos como tal), por quem ganha como por quem perde, também. Mas, enfim, Karim Aïnouz foi o grande vencedor do ano, ganhando melhor filme, diretor e atriz (Hermila Guedes), por O Céu de Suely. Matheus Nachtergaele foi o melhor ator e a discussão deixou claro que ele é maior do que o filme no qual brilha, e do qual gosto, confesso – Tapete Vermelho, de Luiz Alberto Gal Pereira. Árido Movie ganhou dois prêmios, os dois que mais merecia – melhor fotografia, para Murilo Salles, e melhor montagem, para o belíssimo trabalho de Vânia Debs. Chegamos a considerar a possibilidade de premiar também o Selton Mello, independentemente de o papel dele em Árido Movie ser como coadjuvante. Tínhamos um só prêmio para melhor ator e não ia ser o tamanho do papel a definir quem levava o troféu. Espero não cometer nenhuma indiscrição ao dizer que, entre nós, chegamos à conclusão de que mais valia dar a Matheus, que está maravilhoso, porque Selton já vai ganhar no ano que vem por O Cheiro do Ralo – espero! Ainda houve mais um prêmio, o de roteiro, que foi para Cao Hamburger e seus parceiros em O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias. Sinceramente, debatemos bastante, porque achávamos que Cao merecia mais – mas o quê, se este, afinal, é o ano de Suely? Cao, de qualquer maneira, poderá ser um dos ou o próprio rei da noite, na festa de premiação, em março. Afinal, ele ganhou o grande prêmio da crítica de TV pela minissérie Os Filhos do Carnaval, da HBO, prêmio totalmente merecido (e para o qual fiz lobby, admito).