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Luiz Carlos Merten

14 Março 2012 | 09h21

Fernando Severo reclama (observa?) que peguei pesado com o François Truffaut, seu favorito da nouvelle vague. Sorry, Severo, mas vai ser sempre assim. Quando vejo ‘O Garoto Selvagem’, e vejo Truffaut como o professor Itard, nunca cesso de me perguntar – como não amar esse cara? Mas diante da mediocridade alarmante de ‘Um Só Pecado’ e ‘De Repente, num Domingo’, também me pergunto – mas como ele tinha a cara de pau de não haver relativizado seu ódio pelos diretores do cinema de qualidade? Porque, no caso de Truffaut, a coisa era pessoal. Enfim, escrevo o que sinto, e não para catequisar quem quer que seja. Ontem, depois das entrevistas de ‘Heleno’, voltei para a redação do ‘Estado’, para a reunião de pauta do ‘Caderno 2’. Peguei a chuvarada e, depois da reunião de pauta, ainda tinha a festa de premiação da APCA, no Sesc Pinheiros. Peguei trânsito pesado, cheguei tarde, mas encontrei Jeferson De com a mulher e a filha – aquela menina, produto da miscigenação racial, é a própria cor de canela, e tem o sorriso mais cativante do mundo -, feliz da vida com o prêmio que ganhou por ‘Bróder’. A cerimônia, propriamente dita, foi uma comédia de erros ininterrupta. Uma sucessão de trapalhadas. As festas de premiação da Mostra também eram assim, mas Leon Cakoff, que podia profissionalizá-las, fazia questão de manter a informalidade. E a premiação da APCA sempre me emociona. Posso achar absurdos certos prêmios (em cinema, pois somos um colegiado, em teatro), mas a alegria das pessoas é tão genuína e o prêmio é tão considerado que, às vezes, até choro (discretamente) vendo aqueles agradecimentos. E, neste momento, penso sempre a mesma coisa. Somos poucos os que continuamos votando em cinema na APCA. Deveríamos nos reunir antes, debater com mais intensidade, não que o fato de ter sido voto vencido, nesta ou naquela categoria, me faça pensar em impugnar o prêmio. Nada disso. É só para que esse prêmio, que já tem história, continue existindo. Longa vida à APCA.

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