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Luiz Carlos Merten

12 Dezembro 2007 | 15h45

A esta altura, vocês já devem saber, mas ocorreu ontem à noite a votação da APCA, Associação Paulista dos Críticos de Arte, para apontar os melhores do ano em dez categorias artísticas. Integrei, claro, o colegiado de cinema. Houve o maior quebra-pau – o que não deixa de ser surpreendente. Nestes anos todos em que estou na APCA, nunca houve diálogo. A gente chegava lá, votava, saboreava os triunfos, engolia as derrotas e bola pra frente. Ninguém contestava. Pode até ser que o atual presidente da entidade, Marcos Bragato, tenha intuído a pauleira. Ele convocou os votantes para uma pré-avaliação, realizada na semana passada. O pessoal de cinema não foi, o que teria permitido, quem sabe, amadurecer as decisões. É verdade que o de teatro foi e, pelo visto, não amadureceu nada. Vou me meter na seara dos outros, mas não é que eles cometeram a cagada monumental de achar ‘My Fair Lady’ o melhor espetáculo do ano? Pelamor de Deus… Ontem, a insatisfação foi tamanha na área de cinema que houve réplica, tréplica e teve gente que pediu para tirar o nome na ata. Os principais vencedores foram – melhor filme, ‘Jogo de Cena’; melhor diretor, José Padilha, por ‘Tropa de Elite’ (que também ganhou o prêmio de montagem); melhor ator, Selton Mello, por ‘O Cheiro do Ralo’; e melhor atriz, Carla Ribas, por ‘A Casa de Alice’. Não me interessa fofocar. Estou fazendo somente o registro. E quem sabe a gente aprende e o ano que vem começa, enfim, a dialogar para escolher os melhores. Mesmo assim, reconheço que o consenso será difícil, senão impossível. Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra – mas Carla Ribas foi escolhida por unanimidade (a única!) e não foi uma burrice. Não estou muito certo – aliás, duvido – que o democratismo se aplique à avaliação artística. O que poderá evitar é o piti dos que votaram e, insatisfeitos, agora querem fazer como se não tivessem ido.