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Luiz Carlos Merten

06 Setembro 2010 | 13h08

GONÇALVES – Cá estou eu no interior de Minas, desde sábado. Aproveito para dar uma geral, postando de um lugar muito simpático, o Café com Verso, próximo à Igrejs de Nossa Senhora das Dores, padroeira da cidade. Daqui a pouco começam as festividades em honra da santa, quermesse e tudo o mais. Gonçalves é linda, embora esteja padecendo os rigores da seca. Há tempos não chove por aqui. Estou numa pousada, a Bicho doMato, à qual se chega por estrada de terra. O pó é uma coisa horrivel, me sinto num túnel do tempo, na época dos pioneiros. Tenho visto muito DVD. ‘O Barão Aventureiro’, do Fuller ao qual prometo voltar, ‘Os Homens Que não Amavam as Mulheres’. Havia ouvido falar da série ‘Millenium’, de Stieg Larsson, mas não havia lido o primeiro livro da trilogia (nem qualquer outro). Achei a história fascinante, o jornalista e a hacker punk, ambos desenraizados e procurando decifrar um segredo de família. Fascinante, mas não posso deixar de sonhar com o grande filme que David Fincher vai fazer. Dei uma olhada rápida nos comentários – me assombro, cada vez que entro no blog, de saber que existem cerca de 2 mil comentários que não aprovei. Não sei nem por onde começar. Marcelo Magalhães conta que reviu ‘Conspiração do Silêncio’. Redigi o verbete nos filmes da TV do Caderno 2′ e fiquei morrendo de vontade de rever o filme de John Sturges com Spencer Tracy como forasteiro sem braço que chega a cidadezinha do Oeste, após a 2ª Guerra, fazendo perguntas sobre um sujeito – um indesejado – que a população, a maioria sildenciosa local, gostaria que permanecesse esquecido. Faz tempo que não revejo ‘Bad Day at Black Rock’ e, para dizer a verdade, nunca vi o filme no cinema, somente na TV, a primeira vez dublado. Apesar de gostar muito dele nos filmes de Robert Aldrich, nunca esqueci o brutamontes que Ernest Borgnine faz em ‘Conspiração’. E o filme é, senão me engano, de 1955, do mesmo ano em que ele recebeu seu Oscar de ator por ‘Marty’ e o filme de Delbert Mann também foi o melhor do ano para a Academia de Hollywood. Antes que você diga que foi um daqueles Oscars absurdos, melhor de porra nenhuma, vale lembrar que ‘Marty’ também ganhou o Grand Prix do Festival de Cannes – ainda não havia a Palma de Ouro. Entre outros DVDs, trouxe para Gonçalves – o lugar é lindo – os de ‘Jules e Jim’, Uma Mulher para Dois, de François Truffaut, e ‘Céu e Inferno’, do Kurosawa. Bons filmes para vocês aí também em Sampa. Ouço dizer que está frio. Um vinhozinho, um cineminha. Que delícia, não?