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Luiz Carlos Merten

18 Março 2008 | 14h35

Confesso que estou meio em choque. Havia postado, em casa, aquele texto sobre o Edward Dmytryk. Queria acrescentar novos posts sobre outros lançamentos em DVD da Lume, mas fui entrevistar Cássia Kiss (pelo belo ‘Chega de Saudade’) no Hotel Pestana, lá na Rua Tutóia, e vim correndo para o jornal, porque tinha de redigir a capa de amanhã sobre minha visita ao set de ‘Bonitinha, mas Ordinária’, no Rio. Claro que enfrentei mais trânsito do que gostaria, cheguei aqui depois das onze, com um monte de textos para escrever. E ainda morreu o Anthony Minghella! Acrescentei mais um texto aos que já tinha, mas confesso que só agora, depois que terminei tudo – os filmes na TV, inclusive -, me caiu a ficha. Não sou o maior fã de ‘O Paciente Inglês’, gosto com reservas de ‘O Talentoso Ripley’ – não consigo ver Matt Damon no personagem que Alain Delon imortalizou em ‘O Sol por Testemunha’, de René Clément, que conta a mesma história -, mas contra tudo e todos viajei no ‘Cold Mountain’. Tenho esta simpatia pela figura do Minghella. Todo mundo sempre me falou tão bem dele. Walter Salles, Juliette Binoche, Ralph Fiennes. Todos dizem que era um grande cara. Sério, generoso, totalmente ‘do bem’. Minglella morreu aos 54 anos, em conseqüência de hemorragia, após uma cirurgia para retirada de tumor maligno nas amídalas e no pescoço. O telegrama da Reuteurs disse que ele estava bem, os médicos estavam otimistas e até iam lhe dar alta, quando ocorreu, ontem à noite, a tal hemorragia. Confesso que fiquei triste. Minghella morre como viveu – como uma promessa. Não creio que ele tenha conseguido concretizar uma grande obra, mas em seus melhores momentos fez filmes românticos e emocionantes sobre anti-heróis individualistas. E isto me toca. Acho lindo aquele amor do Jude Law pela Nicole Kidman e me comove o desencontro dos dois em ‘Cold Mountain’, até aquele final verdadeiramente estúpido, que trunca tudo. A própria morte do Minghella também foi assim. Uma vida truncada. E eu fiquei triste por ele.