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Luiz Carlos Merten

11 Junho 2010 | 08h41

Dois dias sem dar notícias. Tenho ido bastante ao cinema. Filmes da mostra filipina, revi ‘O Príncipe da Pérsia’ – pela terceira vez – e ‘O Escritor Fantasma’ – pela segunda. Vamos por partes. Ainda não falei nada sobre o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Vou bancar o despeitado. Não sei quem faz a divulgação da Academia Brasileira de Cinema, ou será Academia do Cinema Brasileiro?, mas com certeza não sou importante para essa assessoria. Como não sou de ficar navegando na rede, fico sabendo do Grande Prêmio na hora. Não vi a cerimônia e, pelo que me contaram, não sei se teria gostado da festa. A premiação foi discutível, para dizer-se o mínimo – Daniel Filho foi indicado para 11 prêmios (11!) por ‘Tempo de Paz’ e ganhou um, o de roteiro, o qual não creio que fosse o mais adequado, ou merecido para seu filme, mesmo que fosse para dar somente um. Não sei nem quem foram os indicados. Sei que Tony Ramos e Glória Pires foram indicados duas vezes cada e ele levou por ‘Se Eu Fosse Você 2’. Glória, que foi melhor atriz da APCA, Associação Paulista dos Críticos de Arte, e dos Melhores do CineSesc, por ‘É Proibido Fumar’ – vencedor da noite –, viu Lília Cabral subir ao palco para receber seu prêmio por ‘Divã’. Lília é ótima no filme e sua emoção, me contou Ana Luiza Müller, valeu a surpresa, mas tenho para mim que o filme de Anna Muylaert é a Glória e dar a ‘É Proibido Fumar’ os principais prêmios, menos o de atriz, soa algo como sacanagem. A premiação (geral) privilegiou o cinema de autor, em detrimento dos blockbusters, mas modestamente acho que há um paradoxo nesta tal de academia. Todo ano ela homenageia alguém bem comercial para manter, quem sabe, uma porta aberta para esse outro cinema e tentar dizer que o público, afinal de contas, não é tão burro nem tão ruim. Não me lembro quem foi o homenageado no ano passado, mas recentemente o trapalhão Renato Aragão foi e recebeu seu troféu. Este ano, foi Anselmo Duarte, o maior galã da história do cinema neste País, que reinou na Vera Cruz e na Atlântida, ganhou a única Palma de Ouro do cinema brasileiro – por ‘O Pagador de Promessas’ –, mas se perdeu depois em filmes de qualidade mais do que duvidosa, até para produções ‘comerciais’. Ainda bem que o outro Anselmo Duarte, o ator, teve grandes papeis no pós-‘Pagador’ e o maior deles foi o policial torturador do Estado Novo em ‘O Caso dos Irmãos Naves’, de Luís Sérgio Person. Enfim, lembrem-me no ano que vem de ficar atento ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Meu editor me fulminou – se eu viajasse menos, talvez tivesse sabido. Mas, que coisa, estava no Rio na semana passada, entrevistando os convidados do Festival Varilux. Encontrei meio cinema nacional nos eventos do festival e ninguém comentou nada. Muito estranho.