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Cultura » Amy? Não, a Cult

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Luiz Carlos Merten

09 Janeiro 2011 | 12h47

Estou na redação do ‘Estado’. Vim fazer a crítica de ‘Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família’, para a edição de amanhã do ‘Caderno 2’. Antônio Gonçalves Filho e Regina Cavalcanti estão no plantão. A prioridade deles é o show de ontem de Amy Winehouse, em Florianópolis, que Lauro Lisboa Garcia foi cobrir para o jornal. Ouço dizer que é uma grande artista. Pode até ser, mas não tenho muita paciência com essas mulheres cujo sucesso é pavimentado com escândalo. O visual dela também é o ó. O cabelo parece a versão (des)atualizada da babá Nanny, na série de TV, e para a idade que dizem que ela tem acho que está muito detonada. Mas, enfim, meu tema não é Amy e sim, o que me disse Antônio Gonçalves Filho. A Cult Classics, viva a Cult, vai lançar em DVD filmes que vão me render muitos posts. ‘Tempestade sobre Washington’, de Otto Preminger; ‘Baby Doll’, Boneca de Carne, de Elia Kazan; e o ‘M’ de Joseph Losey. É curioso que os filmes de Kazan e Losey estejam saindo juntos. Michel Ciment, que foi jurado na Mostra, reeditou, conjuntamente, dois livros que havia publicado separadamente sobre esses autores. Na apresentação, ele os junta por oposição – Kazan e Losey estiveram em campos opostos durante o macarthismo e isso marcou a vida de ambos. O próprio Preminger, que tantas vezes desafiou o código de Censura de Hollywood, ajudou a lançar a pá de cal no macarthismo quando, na sequência de Kirk Douglas (como produtopr) em ‘Spartacus’, anunciou que o blacklisted Dalton Trumbo era o autor do roteiro de ‘Exodus’, que adaptou do romance de Leon Uris. Vamos ter muito assunto com esses novos lançamentos da Cult, dos quais o melhor é ‘Tempestade sobre Washington’. O personagem de Charles Laughton é genial, o senador que abre mão de seus privilégios e vai de ônibus para o Congresso. Antes que você queira usá-lo como exemplo para detonar os profissionais brasileiros da política, mais vale avaliar corretamente a questão. Um político assim não deve existir em lugar nenhum, só na ficção.