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Luiz Carlos Merten

03 Agosto 2007 | 15h15

Amos Gitai parece perfeito para provar o ditado que diz que ninguém é profeta no próprio país. Há uma rara unanimidade no que me dizem todos – incluindo colegas jornalistas. Ele é o diretor israelense para exportação. A França – Cannes, muito especialmente -, São Paulo, Veneza, todos o adoram, mas o público israelense não tem muito apreço por seu cinema. Natural – tentei argumentar. Amos Gitai, em filmes como Kadosh e Kedma, ataca a religião tradicional (os ortodoxos) e a opcupação da Palestina pelos judeus que sobreviveram ao holocausto e que expulsaram os árabes para fundar o seu Estado, reconhecido pela ONU. Não deve ser um discurso que soe bem aos ouvidos dos radicais israelenses. Me disseram que não é por isso. O público médio de Israel, me garantem, é alienado e colonizado por Hollywood. Fiquei surpreso porque os judeus que conheço no Brasil são cultos, lêem muito e possuem boa formação clássica, o que os habilita a ter um gosto mais sofisticado. Parece que não é nada disso – o isralense médio não absorve o experimentalismo estético de Amos Gitai, seu uso do plano-seqüência. Amos não está em Israel. Está em Paris, mas volta na próxima semana, a tempo de pegar o encerramento do 7º Festival do Cinemas Brasileiro de Israel. Na verdade, o festival vai até dia 21, mas a premiação ocorre na semana que vem. Gostaria de ter tempo de conversar com ele sobre o país (e o cinema) que estou conhecendo.

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