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Cultura » Amor feito de ódio

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Luiz Carlos Merten

20 Julho 2007 | 15h35

Levantei cedinho, hoje, e me mandei para Congonhas, de onde devia voar, às 9 horas, para o Rio, para ser jurado no Festival de Cinema Universitário. Cheguei às 8, o aeroporto estava fechado para pouso. Ainda bem que encontrei a Carla Esmeralda, parceira da Carla Camurati no Festival de Cinema Infantil, com quem passei três horas muito agradáveis, conversando e rindo, porque ela é uma pessoa muito humorada. Houve chamada para o vôo da Carla, ela se foi e eu não vou dizer para vocês em que circunstâncias, exatamente – perdoem, mas não posso –, mas consegui ficar quase quatro horas na espera e terminei perdendo o meu vôo! O pior é que não consegui nenhum outro e, assim, perdi minha manhã e agora vou ter de correr para estar amanhã cedo no Rio, para recuperar os programas perdidos, assistir aos do dia e deliberar à noite. No aeroporto, dei uma olhada naqueles telejornais internos e descobri uma coisa que me deixou de olho brilhando. Mais tarde, cheguei no jornal, abri o Caderno 2 e lá estava a mesma notícia, como nota. Tom Cruise está filmando com Bryan Singer, o talentoso diretor de Os Suspeitos, X-Men 1 e 2, e Superman. Ponho fé no talento do Singer para fazer blockbusters inteligentes, ou pelo menos acima da média. Neste novo filme, Super-Tom faz antinazista que participa de atentado contra Hitler. De cara, a gente já sabe que o plano não deu certo. Como Bryan Singer vai tratar o assunto? Isto me lembra A Águia Pousou, de John Sturges, sobre outro plano frustrado – dos nazistas – para seqüestrar Churchill, durante a 2ª Grande Guerra. Recentemente, um leitor do Estado me ligou pedindo informações sobre este filme, que muito o impressionou, nos anos 70. Até onde me lembro, A Águia Pousou é legal, mas não tão bom quanto os westerns do Sturges, ou Fugindo do Inferno, que é eletrizante como espetáculo de ação, também desenrolado durante a 2ª Guerra. Para dizer a verdade, nesta coisa de nazistas, costa inglesa, prefiro O Buraco da Agulha, de Richard Marquand, feito depois, acho que por volta de 1980. Só agora, quando posto isso, me dou conta de que Donald Sutherland está nos dois filmes. Marquand era bem interessante. Fez poucos filmes e ninguém vai dizer que era um autor, mas, se vocês prestarem atenção, vão ver que O Retorno de Jedi, O Buraco da Agulha e O Fio da Suspeita tratam de relações de amor e ódio.

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