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Luiz Carlos Merten

08 Outubro 2006 | 13h38

Espero não estar cometendo nenhuma indiscrição, nem transgressão da ética, senhora que anda muito na moda, ao dizer que, quando integrei a comissão da Petrobrás que avaliou projetos, no ano passado, batalhei muito por uma adaptação do romance do escritor gaúcho Josué Guimarães, Enquanto a Noite não Chega. Pode até ser que meus colegas jurados tivessem razão, que era miúra, que era difícil de fazer, que a equipe não era uma garantia – até onde eu sei, nenhuma equipe, por melhor que seja, garante nada; filmes, mesmo de grandes diretores, às vezes saem errado –, mas eu acreditava na história do casal de velhos que fica ali discutindo a morte do filho e o fim de sua época, contra um fundo de guerra. Em Cannes, em maio, quando integrei o júri da Caméra d’Or, tomei um susto ao assistir a Hamaca Paraguaya, da diretora paraguaia Paz Encina. O filme dela é aquele com que eu sonhava, no júri da Petrobrás. Quebrei o protocolo de que jurado não fala com concorrente e fui até ela, querendo saber se conhecia o livro, se era, mesmo disfarçada, uma adaptação. Não, Paz não conhecia o livro; não foi uma referência. Torcia muito pelo filme dela e pelo mexicano El Violín, de Francisco Vargas Quevedo, na Caméra d’Or. Gastei meu verbo defendendo os dois, mas fui voto vencido naquele júri francófono e mais disposto a premiar a moderna produção européia. Nem um nem outro esteve no Festival do Rio. Estão, agora, na Mostra de São Paulo. Hamaca Paraguaya e El Violín. O segundo já passou em Gramado, onde ganhou os principais prêmios do Festival de Cinema Latino. A grande presença da Latino-América na 30ª Mostra já está garantida.

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