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Cultura » Amenabar e seu epico de ideias

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Luiz Carlos Merten

17 Maio 2009 | 16h16

CANNES – Naoh sabia da existencia de `Agora`, que na verdade eh Ah-gora`, com acento aberto no A inicial, o espaco da discussao politica, a praca central nas cidades da antiguidade classica, seja grega ou egipcia, como no filme de Alejandro Amenabar. Fui ver sem saber de nada e o filme foi me `pescando`. Passa-se em Alexandria, em pleno colapso do imperio romano, quando a provincia do Egito vira cenario de disputas religiosas entre cristaos, judeus e politeistas. Amenabar com certeza quis fazer um filme para refletir, como num espelho, os fanatismos religiosos da contemporaneidade. Rachel Weisz eh a protagonista, como uma duble de astronoma e filosofa, que tenta decifrar o misterio que mantem o universo em equilibrio, com a Terra rodando em torno de si mesma e do Sol e o proprio Sol realizando seu movimento. As questoes astronomicas e filosoficas saoh tambem politicas e teologicas, com a figura desse escravo que ama Rachel e adquire importancia entre os fanaticos cristaos, para os quais uma mulher libertaria – e que pensa, como ela – eh uma figura perigosa, contra a qual o proprio Cristo alerta nas escrituras. O filme custou carissimo, eh uma producao (europeia) monumental, mas exatamente como na `Cleopatra` de Bressane o que importa naoh eh a acaoh, mas as ideias em discussaoh. Pensei no `Faraoh` de Kawalerwicz, que pode ter sido uma especie de inspiracaoh para Amenabar, o que talvez tenha oportunidade de perguntar ao diretor. Achei o filme intrigante. Naoh devo ter sido o unico a pensar assim. No fimnal da exibicao de imprensa, `Agora` foi muito aplaudido – na verdade, um dos filmes mais aplaudidos ateh agora (mas naoh concorre a Palma). Agora, chega. Vou correndo para a fila de `Anti-Cristo`, senaoh me arrisco a perder o Von Trier.

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