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Luiz Carlos Merten

13 Março 2007 | 11h17

Encontrei o Jean-Thomas, da Imovision, no saguão do CineSesc, antes da premiação de ontem, quando Amantes Constantes recebeu o prêmio de melhor filme estrangeiro lançado no Brasil em 2006. Temos aqui dois comentários possívei. Um é sobre Amantes Constantes e a atuação de Jean-Thomas como distribuidor. Por certo que Jean-Thomas trabalha no ramo e não usa sua empresa para lavagem de dinheiro. Precisa pagar as contas, mas é uma raríssima figura de distribuidor que também é cinéfilo e, portanto, acha que certos filmes precisam estrear, independentemente de dar dinheiro ou não. Foi o caso de Amantes Constantes. Tudo conspirava contra o filme – francês, cheio de diálogos, com três horas, em preto-e-branco. As legendas, branco sobre branco, muitas vezes eram ilegíveis. Jean-Thomas trouxe uma cópia, que lançou no Reserva Cultural, achando que ia perder dinheiro. Seu lado cinéfilo resolveu que valeria arcar com o prejuízo, se fosse pequeno. O filme, para o seu perfil, foi um sucesso. Se todos os distribuidores tivessem essa cabeça, veríamos coisas mais interessantes, com certeza. O outro comentário possível é o seguinte. Jean-Thomas distribui também Os Doze Trabalhos. O filme de Ricardo Elias estreou na sexta passada, com sete cópias. Três foram bem, exatamente as do Reserva, do Arteplex (no circuito do Adhemar de Oliveira) e do HSBC Belas Artes (de outro distribuidor/cinéfilo, André Sturm). As outras quatro, em shoppings mais distantes, foram um fracasso e puxaram a média para baixo. Gosto de Os Doze Trabalhos, mas imaginava que seria assim seu desempenho nos cinemas. Uma garota, a quem entrevistei, querendo saber sua opinião, me disse que achou o filme legal, mas não gostou do fim – disse que não gosta de filme sem fim. Outra disse que não gosta de filme que mantém o público na expectativa de que algo vá acontecer e, no final, não acontece nada. Antônia, de Tata Amaral, era outro filme no qual não acreditava muito – como bilheteria, digo. Em Berlim, gostei do filme bem mais do que havia gostado (desgostado) no Festival do Rio. Antônia fez 75 mil espectadores, quando a distribuidora Downtown esperava no mínimo 500 mil. Antônia é A Máquina deste começo de ano. Por que o público não está gostando desses filmes? Acho até que, quem vai, termina gostando, mas não faz boca-a-boca. Já ouvi, entre os motivos, o de que é filme de pobre, de negro (o preconceito não é meu, pelamor de Deus!), que mostra o que as pessoas podem ver de graça, em casa, assistindo ao noticiário de TV. É verdade em parte. Cidade de Deus tem pobre, negro e violência. Carandiru, idem. As pessoas quiseram ver os dois. Acho que o que disse a minha jovem amiga, de que não gosta de filme sem fim ou em que não acontece nada, é mais verdadeira. Mas isso a gente fala no próximo post. Vocês opinem, por favor!