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Alô Aldir, alô Paulo!

Luiz Carlos Merten

11 Junho 2007 | 08h59

Não me lembrava do nome, Aldir, e voltei ao post sobre William Friedkin só para reler teu comentário. Sabia que alguém tinha me falado superbem do Viver e Morrer em Los Angeles. Ocorre que ontem fui ver Totalmente Apaixonados. Por uma questão de proximidade (e comodidade), fui ver no Iguatemi. Êta shopping metido a besta. E os comerciais do Cinemark! Reclamei outro dia do Arteplex, mas nas raras vezes em que vou ao Cinemark minha impressão é de que o filme é alguma coisa perdida num mar de publicidade e incentivo ao consumo de pipoca e refrigerante. Um dia eles ainda vão esquecer do filme! Fiquei indignado com as propagandas do Dia dos Namorados. Também estive no Arteplex no fim de semana (para rever Não por Acaso e ver ontem Shrek), mas é outra coisa. A Rain presta aquelas homenagens, citando versos de Drummond. Devo ser um romântico incurável! No Cinemark, o anúncio era de celular, coisa que vocês sabem que eu odeio, e o espírito era – arranje um namorada/uma namorada só para dar o novo modelo tal, que é o que de mais moderno existe em comunicação móvel e isso e aquilo. Ave Maria! Mas, enfim, Aldir, me lembrei de ti porque dei uma passada nas Lojas Americanas do Iguatemi para ver as ofertas de DVD. Minha filha diz que eu virei um caso perdido. Estou obcecado por DVD. Além dos que ganho, compro mais ainda. A casa está entupida de DVDs. A Lúcia ainda comprou uma filhote de buldogue, a Angel. Por falta de espaço, moro em prédio, vou ter de dormir no cinema qualquer dia. Brincadeirinha à parte, lá estava – Viver e Morrer em Los Angeles, que o Aldir acha um filmaço, à venda por R$ 12,90. Vai lá, Aldir. O Paulo também quer saber o título do documentário do Scorsese sobre cinema italiano. O diretor havia feito em 1995. no mesmo ano de Cassino, A Personal Journey with Martin Scorsese Trough American Movies, projeto que forma um díptico com o livro editado no Brasil. Em 2001, fez Mio Viaggio in Italia. O título não deixa de conter uma homenagem a Rossellini e a seu Viaggio in Italia. Vi o documentário do Scorsese no Festival do Rio, no Cine Odeon, quando foi projetado em digital – acho que foi uma das primeiras projeções do tipo no Brasil. Lembro que Luiz Zanin Oricchio estava lá. No final, depois de quase quatro horas de filme, nos encontramos e estávamos ambos tão emocionados que nem conseguíamos falar. Tinha dado aquela coisa, aquele engasgo. Não sei se Mio Viaggio in Italia foi lançado em DVD nos EUA, ou se só tinha autorização para ser projetado em festivais. Só sei que deveria estar no disco digital. O problema, nesse tipo de filme, é de direitos. Sai muito caro pagar os direitos de tantos filmes. Mas, além do prazer de (re)ver cenas escolghidas, antológicas, há o comentário do Scorsese. É um diretor que ama o cinema. Poderia amar e fazer comentários bobos, superficiais. São densos e profundos. Abrem novas cortinas para a compreensão de obras que parecemos conhecer, mas sempre surpreendem.