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Luiz Carlos Merten

21 Janeiro 2007 | 15h54

SANTIAGO – Já estive aqui em Santiago no ano passado, mais de 30 anos depois de haver visitado o país meses antes do golpe militar que levou â morte de Salvador Allende. E confesso que me emocionou muito quando, em frente ao Palácio de La Moneda, bombardeado pelos golpistas de Pinochet, fato que culminou com a morte de Allende, vi a estátua do ex-presidente, caminhando decidido em relacao a um objetivo. Inscrita na pedra, está a frase – “Más temprano do que lejos se abrirán las alamedas por donde passsará el hombre libre para construir una sociedade mais justa.” Mais cedo do que tarde se abrirao as alamedas pelas quais passará o homem livre para construir uma sociedade mais justa. É uma coisa que me toca muito. Pinochet fez o que pode para erradicar a heranca de Allende e agora ele está ali, imortalizado na pedra. Nas lojas de discos, encontram-se CDs de todos aqueles artistas que foram perseguidos pós-11 de setembro de 1973. Inti-Illimani, Quilapayun. A subversiva Cantada de Santa Maria Iquique está de novo â venda e se anuncia uma reedicao completa da obra de Victor Jara, que teve as maos quebradas antes de ser morto no estádio Centenário, onde a ditadura havia confinado os partidários de Allende. Nao quero idealizar nada nem ninguem. O mundo mudou e as mudancas apontam para uma vitoria da economia neo-liberal, nada socializada (ou socializante). Mas as alamedas já se abriram parcialmente para que se possa resgatar uma memória de esquerda antes aviltada no Chile. Quem sabe, um dia?

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