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Cultura » Allan Dwan, quem me dera!

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Luiz Carlos Merten

05 Setembro 2007 | 17h40

Com muito pesar, tenho de admitir para o Fábio Negro que não sou a pessoa mais indicada para ficar discutindo o cinema de Allan Dwan com ele. Bem que gostaria! Dwan é um dos xodós de Peter Bogdanovich, que dedicou a ele um livro que veio se somar a outros que escreveu sobre John Ford e Fritz Lang (e o segundo, Fritz Lang in America, é um maravilhoso resgate da fase americana do grande cineasta, que tende a ser negligenciada, em favor de sua primeira fase expressionista, na Alemanha). Calcula-se que Dwan pode ter feito quase 2 mil filmes desde 1909, quando se iniciou na direção, contemporâneo de Griffith. Ele dizia que eram 400, número, mesmo assim, bastante respeitável, mesmo que pelo menos uma centena seja de filmes de uma ou duas partes, nos primórdios do cinema mudo. Dizer que conheço uma meia-dúzia de filmes de Dwan chega a parecer ridículo, mas é verdade. São os filmes com John Payne e Rhonda Fleming (A Audácia É Minha Lei e O Poder do Ódio) e o sensacional O Mais Perigoso dos Homens, com Debra Paget, que tem physique du rôle para disputar com Gene Tierney o título de mulher mais bela do cinema. Sorry, Fábio, mas vou ficar devendo. Não vi nem Homens Indomáveis, a alegoria de Allan Dwan sobre o macarthismo, na qual o vilão, que se chama McCarthy, é morto por uma bala que ricocheteia num sino, com tudo o que isso tem de metafórico.