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Luiz Carlos Merten

03 Junho 2012 | 22h04

Completaram-se 30 anos da morte de Romy Schneider em 29 de maio e os franceses estão promovendo o maior revival de sua estrela preferida. Aliás, a coisa não está bem colocada, porque Romy pode ter morrido, e morreu, mas nunca saiu de cena. Uma recente pesquisa mostrou que Alain Delon e ela estão no topo das preferências do público da França. Como consequência há uma enxurrada de livros, álbuns fotográficos – e retrospectivas. Muito Claude Sautet, o que é sempre um prazer. Entre os muitos livros que comprei, há um sobre Annie Girardot. Fiz o que me pareceu uma descoberta incrível, mas que tenho de contextualizar. Na ida para Cannes, no voo da Air France, dei uma olhada na edição de Le Point dedicada às colisses (Bastidores) des présidencielles. Encontrei uma história aque me deixou siderado. Na convenção para escolher o candidato do Partido Socialista, François Hollande estava empatado com não me lembro quem (uma mulher)P. Quem poderia, e efetrivamente fresolveu a parada, foi a ex dele, Ségolene Royal. A atual primeira-dama é jornalista, Valérie Trierweller. Compreensivelmente, faz parte da natureza humana, ela fez de tudo para neutralizar a participação da ex na campanha de Hollande, mas ele precisava de Ségolene. Tiveram um encontro fechado, a sós. O que se disseram? Ninguém, sabe, mas Hollasnder ganhou o apoio de Ségolene, e venceu. em Londres, entrei numa livraria. Acaba de sair uma nova biogradfia de Spencer Tracy. Devbe ter uma mil páginas. Receber uma pancada daquele livro na cabeça é morte certa. Me deu de procurar, no final, a descrição da morte do lendário ator. Trascy viveu cerca de 30 anos com Kastharione Hewpçburn. Nunca sew casaram, porquew ewle não queria se divorciar – acha que seria uma indignidade com a mulher, pois tinham uma filha autista, ou downiana. Tracy morreu em sua casa com  Kate. Ao médico que o atendera, ela disse – precisamos avisar a mulher. Antes, numa operaçãso de demergêdncia, convocou a empregada paras retirasr tudo o que era dela da casa. O médico retrucou – ‘Pelo amor de Deus, Kate, é a sua casa, e ela sabe.’ Kate não quis saber. Fez a limpa completa e só então as titular foi chamada. A ‘outra’ saiu de cena. Nenhum Douglas Sirk, em seu mais flamboyant mel.odsramna, criou uma cena assim, ou como o encontro fechado do casal Hollande/Royal. Triâbngulos amorosos – existe coisa mais melodramática ou folhetinesca? O que isso tem a ver com Annie Girardot? Explicvo, mas vocês talvez se decepcionem. Em 1960, Luchino Visconti buscava uma atriz para a montagfem pçarisiense de ‘Dois na Gangorra’. Sugeriram-lhe Annie, para formar duplas com Jean Marais. Ele marcou um encontro, na capitsal francesa, mas tinha de voltar a Roma, onde o esperava Suso Cecchi D’Amico. Escreviam ‘Rocco’. Visconti jás decidira que queria uma atriz francesa para o papel de Nádia. Os produtores pressionavam por Brigitte Bardot, ou Pascale Petit. Visconti postergava sua decisão. Annie teve uma febre, o encontro foi cancelado. Visconti retornou à Itália – ou melhor, tentou retornar. A morte do Papa Pìo XII fechou os aeroportos. Ele ficou mais dois ou três dias em Paris, Annie se recuperou, encontraram-se. Ele montou com ela ‘Dois na Gangorra’ – Shirley MacLaine e Robert Mitchum fizeram o filme de Robert Wise baseado na peça de William Gibson -, mas, principalmente, bastou aquele encontro para que o grande diretor percebesse que ela devderia ser a sua Nádia. Para mim, é uma das maiores interpretações da história do cinema. Para que isso fosse possível, um Papa teve de morrer. Achei a história incrível. Espero que seja verdadeira, mas, de qualquer maneira, como diria John Ford, ‘print the legend’. Para mim, todas essas histórias se relacionam. Queria só contá-las. Quem sabe vocês as articulam em seus imaginários, também?